Café Leopold manterá cicatrizes em desafio ao terrorismo

MUMBAI - Algum dia Farhang Jehani irá consertar os buracos de bala nos vidros e cobrir as marcas de estilhaços nas paredes. Mas por enquanto essa será a nova decoração do Café Leopold.

The New York Times |

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"Nós deixaremos assim mesmo", disse Jehani em meio ao barulho de seu agitado café, onde oito pessoas morreram nos ataques terroristas do mês passado. "Faz parte da nossa história".

Nas duas semanas que sucederam os ataques, este bairro de Mumbai com suas ruas estreitas compartilhadas por comerciantes de rua e lojas estabelecidas voltou ao normal. Mas no Leopold, a frequência aumentou.

O restaurante se tornou uma espécie de santuário de desafio ao terrorismo. Pelo menos é assim que o retrata Jehani. "Eu quero que seja a mesma coisa, como se nada tivesse acontecido", ele disse.
Turistas vêm comprar camisetas com o logotipo do restaurante - as vendas quintuplicaram. Transeuntes param para olhar as marcas de balas na fachada do café e uma clientela eclética - alguns por curiosidade, outros para mostrar apoio - se senta para uma refeição regada a cerveja.

"Eu quis dar uma olhada", disse Jagdeep Kishore, advogado em de 60 e poucos anos de Nova Déli que veio a Mumbai para uma conferência. O Leopold se tornou um nome famoso na Índia, disse Kishore. "Mas eu nunca imaginei que estaria tão cheio".

A diversidade de clientes espelha a própria Mumbai. Turistas, especialmente mochileiros, são a principal fonte de renda do restaurante há anos, desde os hippies nos anos 1960. Mas desde os ataques, o Leopold atraiu nativos da cidade das classes média e média alta.

"Com certeza tem mais indianos agora", disse Amerita Kotak, 16, parte de um grupo de estudantes do ensino médio que esperava por uma mesa na sexta-feira. "As pessoas querem ver o que aconteceu".

NYT

Café vira espécie de santuário contra terrorismo após ataques em Mumbai


Os ataques, que deixaram 171 pessoas e nove de dez atiradores mortos, teve início no final do dia 26 de novembro.

Por volta das 21h40, o jantar no Leopold foi interrompido por um minuto de tiroteio e o barulho da explosão de uma granada. Os homens armados não entraram no restaurante, de acordo com Jagat Khadka, o segurança, que foi ferido no braço por uma bala. Eles ficaram do lado de fora e abriram fogo casualmente contra o estabelecimento, fazendo com que as garçonetes e os clientes corressem para a cozinha ou se escondessem debaixo de mesas, de acordo com entrevistas com a equipe de funcionários.

Seis clientes e duas garçonetes morreram. Os atiradores então seguiram por uma rua estreita até a entrada lateral do hotel Taj Mahal Palace & Tower, onde aterrorizaram hóspedes e funcionários por outros dois dias.

As garçonetes que morreram no Leopold, Peer Pasha e Hidayat Khazi, eram indianas muçulmanas. Um aviso sobre o balcão revela que doações às famílias das funcionárias mortas podem ser feitas no caixa.

Jehani diz que não sabe a identidade dos outros seis mortos, a não ser que três eram estrangeiros, um deles alemão. Jehani escapou dos riscos porque tinha ido ao segundo andar do restaurante acompanhar uma partida de cricket entre a Inglaterra e a Índia.

Ao subir a escada ele viu dois homens na calçada com grandes mochilas, uma visão comum em um bairro popular entre os mochileiros. Eles pareciam pessoas "decentes", ele disse. "Eu pensei que estavam esperando por amigos". Cerca de três minutos depois os homens abriram fogo.

A atmosfera no Leopold no último sábado era embriagada e estridente. Mas em meio à clientela indiana estavam as lembranças do poder das armas que os terroristas usaram.

Por THOMAS FULLER

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