Caçadores de votos de Obama enfrentam o complexo assunto da raça

ELKO ¿ Em uma noite recente no oeste de Nevada, Cathy Vance, voluntária da campanha presidencial do senador Barack Obama, batia de porta em porta na casa de eleitores que foram identificados como possíveis apoiadores do democrata. O Condado de Elko é, em sua maior parte, rural, com poucos moradores negros, localizado em um Estado com poucos oficiais negros eleitos.

The New York Times |

NYT
Voluntários de Obama em Nevada
Voluntários de Obama em Nevada

 Entre as pessoas que ela encontrou naquela noite estava Veronica Mendive, que pareceu cuidadosamente empolgada com a candidatura de Obama. Mas ela teve um pensamento.

Não quero que soe como se eu fosse preconceituosa, Mendive disse. Nunca estive em volta de muitos negros antes. Eu só me preocupo com a possibilidade de eles serem legais na sua frente, mas, quando estão no meio do seu pessoal, você tem de se preocupar com o que vão fazer com você.

Vance respondeu: Uma coisa que deve ser lembrada é que Obama é metade branco e foi criado por sua mãe branca. Então na verdade, suas perspectivas são mais brancas do que negras. Ela continuou a assegurar Mendive de que estava tão impressionada com a personalidade de Obama que nem prestou atenção na cor de sua pele.

A conversa, postada no blog The Caucus do nytmes.com, provocou escândalo entre muitos leitores. Incrível como mesmo pessoas brancas que apoiam Obama e estão caçando votos para ele, desviam-se para a supremacia da linguagem branca, escreveu um leitor. Outro disse: O que esta voluntária está pensando da vida?

Vance responded: "One thing you have to remember is that Obama, he's half white and he was raised by his white mother. So his views are more white than black really." She went on to assure Mendive that she was so impressed with Obama the person that she failed to notice the color of his skin anymore.

Contudo, os esforços de Vance refletem na complexa tarefa de muitos voluntários que estão caçando votos para Obama. Enquanto ela e outros voluntários devem se sentir ofendidos por observações como a de Mendive, uma censura não iria convencer o eleitor contra a parede a impulsionar a alavanca de Obama. Então geralmente ela muda de direção.

Eu encontro pessoas assim de tempos em tempos, disse Vance mais tarde. Ela descreveu uma mulher que conheceu, que disse saber ser preconceituosa, passou a detestar essa qualidade em si mesma e também viu isso refletindo em seu filho pequeno, que, segundo ela, disse estava cheio de ódio, Vance explicou.

Sentamos e conversamos na mesa de sua cozinha por um longo tempo naquele dia, Vance recordou. Eu tentei lhe explicar que talvez a única forma de curar aqueles anos de ódio e preconceito fosse finalmente mudar e votar em Obama.

David W. Nickerson, professor de Ciências Políticas da Universidade de Notre Dame, que estuda o alcance da campanha de eleitores, considerou raro alguém admitir seu preconceito racial a um estranho. Uma pessoa da comunidade onde o eleitor vive deve ser mais persuasiva quanto a questões raciais, ele disse.

Se você fosse convencer alguém sobre um assunto como raça, Nickerson disse, imagino que deveria partir de uma fonte confiável. Vindo de uma pessoa conhecida ou uma pessoa simbólica em sua vizinhança.

Darry A. Sragow, consultor político de Los Angeles que trabalhou em diversas campanhas democráticas, disse que os voluntários geralmente são treinados para desviar a conversa de qualquer assunto que seja relacionado à raça para argumentos que funcionem melhor para a campanha de Obama, como a economia.

Ele acrescentou: É como vender carros. Você não irá convencê-los de que é um carro lindo se pensam que ele é feio. Mas deve-se lembrar dos pontos fortes que ele tem. Não se chega longe convencendo alguém de que algo que ele pensa ser negativo é positivo.

Outra pessoa que postou um comentário em resposta ao post de Elko, no blog do nytimes.com, escreveu: Estou caçando votos para Obama. Se esse assunto surgir, mesmo que indiretamente, eu enfatizarei que Obama tem origens multirraciais e que seu pai foi um intelectual africano, não um americano de uma cidade do interior. Eu explicarei que Obama nunca considerou somente os interesses dos afro-americanos ¿ em nenhum assunto ¿ mas sempre procurou por um meio-termo.

Por JENNIFER STEINHAUER

Leia mais sobre eleições nos EUA

    Leia tudo sobre: eleições nos eua

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG