Bush irá reunir líderes mundiais em cúpula sobre a economia

WASHINGTON - O presidente Bush irá reunir líderes de 20 nações em Washington no dia 15 de novembro numa cúpula de emergência que discutirá a crise econômica, afirmou a Casa Branca na quarta-feira. O encontro, que acontecerá menos de duas semanas depois da eleição presidencial, pode colocar Bush numa rota de colisão contra seu sucessor.

The New York Times |

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A Casa Branca afirmou que Bush irá pedir "a opinião" do presidente eleito, e ambos os candidatos, os senadores John McCain e Barack Obama, elogiaram o presidente pela decisão. Nenhum deles, no entanto, se comprometeu a participar, e a Casa Branca confirmou que não sabe o papel que o encontro terá.

A Casa Branca vê a cúpula como a primeira de uma série de encontros internacionais que buscam criar a base para uma possível modificação das regras que controlam os mercados financeiros, da mesma forma que a conferência em Bretton Woods, em 1944, recriou o sistema global (prejudicado pela Grande Depressão e pela Segunda Guerra Mundial).

Muitos economistas afirmam que tal encontro é necessário e importante, além de acontecer num momento em que os temores de contágio entre os mercados se multiplicaram. Mas da perspectiva política americana, o momento (no final de uma gestão fadada) é terrível.

Se a história servir como guia, Obama e McCain podem preferir não participar. Os historiadores dizem que a cúpula de Bush traz à memória as tentativas de outro presidente que enfrentou dificuldades
econômicas: Herbert Hoover. Durante da Grande Depressão, nos dias finais de sua gestão, Hoover tentou atrair o presidente eleito, Franklin D. Roosevelt, a uma prescrição política para a economia, mas Roosevelt resistiu.

"Roosevelt simplesmente não quis se aproximar dele ou se relacionar com nada que ele quisesse, porque ele era muito impopular, e o mesmo acontece com George W. Bush", disse o historiador Robert Dallek. "De certa forma, ele está tentando resgatar sua reputação e a última coisa que Obama ou mesmo McCain irão se importar em fazer é salvar a reputação de George Bush".

A secretária de imprensa da Casa Branca, Dana Perino, afirmou na quarta-feira que "ainda é muito cedo para sabermos" se o presidente eleito irá participar. "Vamos deixar a eleição acontecer primeiro", disse Perino. "Nós não queremos encurralar o próximo presidente a participar".

Uma questão que permanece, no entanto, é quanto Bush conseguirá realizar com tão pouco tempo restante no cargo e líderes estrangeiros se voltando ao novo presidente que poderá facilmente desfazer qualquer compromisso que ele assuma.

Por SHERYL GAY STOLBERG e MARK LANDLER

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