Bush decide manter prisão de Guantánamo aberta

WASHINGTON - Apesar de seu declarado desejo de fechar a prisão americana em Guantánamo Bay, Cuba, o presidente Bush decidiu não fazer isso e não chegou a considerar as propostas do Departamento de Estado e do Pentágono que delineavam as opções de transferência dos prisioneiros, de acordo com autoridades oficiais.

The New York Times |

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Os principais consultores de Bush realizaram uma série de reuniões na Casa Branca durante o verão depois que uma decisão da Suprema Corte em junho gerou dúvidas sobre o centro de detenção americano.

Mas Bush decidiu adotar a posição de seus consultores mais extremistas de que fechar Guantánamo envolveria muitos riscos políticos e legais, agora e no futuro próximo, afirmaram as autoridades.

A gestão age sob a premissa de que Guantánamo continuará a atuar como tribunal militar para os acusados de terrorismo e encarceramento para os condenados a longas sentenças não apenas pelo restante da presidência de Bush, mas muito além, disseram as autoridades.

A decisão de Bush busca deixar imóvel uma prisão que se tornou o odiado símbolo da luta desta gestão contra o terrorismo e deixar outra decisão de política externa para o próximo presidente.

Próximo presidente americano

Ambos os candidatos à presidência, os senadores John McCain e Barack Obama, pediram o fechamento de Guantánamo e poderão reverter a decisão de Bush, ainda que não imediatamente, uma vez que nenhum dos dois falou precisamente sobre como lidar com as consequências legais do fechamento da prisão.

Uma autoridade de alto escalão desta gestão, que falou sob condição de anonimato para discutir as deliberações internas do governo, disse que seria muito mais difícil cumprir a promessa de fechamento da prisão do que os candidatos acreditam. "Esta pode não ser a resposta ideal, mas estamos tentando trabalhar com o sistema que temos", ele disse.

Fechar Guantánamo significaria abandonar processos contra alguns dos presos e arriscar a libertação de outros que ainda representam uma ameaça aos Estados Unidos e seus aliados.

Uma autoridade que favorece o fechamento da prisão sugeriu que o próximo presidente pode reconsiderar depois de ter acesso às evidências confidenciais que a gestão Bush acredita justificarem a prisão indefinida de dezenas de presos.

"O novo presidente irá bater a cabeça contra a parede quando perceber o quão difícil será fechar Guantánamo", afirmou.

Por STEVEN LEE MYERS

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