Bush aprovou ordem que permitiu ataques contra o Paquistão

WASHINGTON - O presidente Bush aprovou secretamente em julho as ordens que pela primeira vez autorizaram as forças da Operação Especial Americana a realizarem ataques por terra dentro do Paquistão sem necessidade de aprovação prévia do governo daquele país, afirmaram autoridades de alto escalão.

The New York Times |

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As ordens confidenciais marcam um ponto de virada para a gestão Bush, que passou quase sete anos negociando com o governo paquistanês para combater o Taleban e a Al-Qaeda, principalmente depois de meses de atrasos na decisão de como confrontar as bases militantes cada vez mais seguras nas regiões tribais do Paquistão.

Autoridades americanas dizem que irão notificar o Paquistão quando conduzirem ataques por terra no solo do país, como a Operação Especial de quarta-feira passada numa vila paquistanesa perto da fronteira com o Afeganistão, mas não pedirão permissão para tal.

"A situação na região tribal não é tolerável", disse uma autoridade de alto escalão americana, que falou sob condição de anonimato por causa da necessidade de sigilo a respeito das missões. "Nós precisamos ser mais ofensivos e nossas ordens foram emitidas".

As novas ordens refletem uma preocupação com os enclaves da Al-Qaeda e do Taleban dentro do Paquistão, bem como o posicionamento americano de que o Paquistão não tem capacidade de combater os militantes. Elas também ilustram a contínua falta de confiança americana nos militares e agências de inteligência paquistaneses e uma crença de que algumas operações americanas anteriores foram comprometidas depois que passaram informações detalhadas sobre elas.

A Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) há anos dispara mísseis contra alvos dentro do Paquistão usando a aeronave remotamente controlada Predator, mas as novas ordens relaxam o que até agora eram firmes restrições à condução de ataques no solo de um importante aliado sem permissão prévia.

O principal oficial do exército paquistanês afirmou na quarta-feira que suas forças não irão tolerar incursões americanas como a que aconteceu na semana passada e que o exército irá defender a soberania de seu país "a qualquer custo".

Não ficou claro que autoridade legal os Estados Unidos invocaram para conduzir mesmo esses limitados ataques ao país amigo. Um segundo oficial americano disse que o governo paquistanês aceitou confidencialmente o conceito geral de alguns ataques por terra conduzidos pelas forças de Operações Especiais contra alvos militantes significativos, mas que não aprova cada missão.

Por ERIC SCHMITT e MARK MAZZETTI

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