Bush adota tom nostálgico em sua última coletiva de imprensa

WASHINGTON - O presidente Bush realizou o que chamou de a maior entrevista de despedida na segunda-feira, usando a derradeira coletiva de imprensa de sua gestão para desafiar a ideia de que a o padrão moral da nação tenha sido danificado por suas ações e para alertar o presidente eleito Barack Obama que, apesar da turbulência na economia, sua prioridade deve ser combater um inimigo que gostaria de atacar a América e os americanos novamente.

The New York Times |

Analisando sua turbulenta presidência, Bush muitas vezes se mostrou fervoroso e desafiante, reflexivo e leve, mesmo ao conceder que algumas coisas "não aconteceram como planejado". Ele confessou inúmeros erros, se recusou a falar sobre perdões, alertou os republicanos a serem mais inclusivos e questionou em voz alta como será fazer café com sua mulher, Laura, em seu rancho em Crawford, Texas, na manhã que Obama assumir sua posição.


Bush: última entrevista como presidente dos Estados Unidos / AP

Mas o momento mais impactante da sessão de 47 minutos de perguntas e respostas, de longe, foi a defesa de Bush de seu combate ao terrorismo. Com defensores dos direitos humanos acusando sua Casa Branca de permitir a tortura e exigindo um inquérito sobre suas táticas de anti-terrorismo, o presidente de partida usou sua plataforma para advertir repórteres, e por consequência sua sucessor e a nação, a não esquecerem das lições do 11 de setembro de 2001 e do clima de medo no qual suas políticas foram criadas.

"Todo este debate não servirá de nada se houver um outro ataque à nossa pátria", ele disse, sua voz aumentando enquanto ele se inclinava para frente.

"Vocês se lembram de como as coisas eram depois do 11 de setembro neste país?", ele questionou, acrescentando: "As pessoas diziam, 'Como eles não perceberam? Como eles não ligaram os pontos?' Você se lembram do ambiente em Washington? Eu me lembro".

Bush não quis falar se irá emitir perdões a agentes de combate ao terrorismo ou oficiais de sua gestão que podem enfrentar processos criminais por atividades como a tática do afogamento ou a demissão de promotores americanos.

Faz quase oito anos que Bush chegou em Washington prometendo ser "um agente de união e não de divisão". Ele deixa para trás duas guerras inconcluídas e uma economia em crise, o desgaste do gabinete é visível. Aos 62 anos, ele tem mais cabelos brancos e mais rugas. Ainda assim, Bush disse que nunca se sentiu "isolado" no cargo e descartou a ideia de que a presidência tenha sido um fardo.

Por SHERYL GAY STOLBERG

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