Bronzeamento em Idaho se torna questão de saúde pública

Dos 36 Estados americanos, Idaho é um dos 14 que não proíbem uso de salões de bronzeamento para menores de idade

The New York Times |

Não existe nenhum salão de bronzeamento na região de Idaho, perto do rio Snake, nenhum pacote mensal ilimitado por US$ 39,99, nenhum interesse sequer em obter qualquer luz ultravioleta mais do que aquela necessária após um dia de trabalho em terras secas debaixo de um sol de rachar.

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"Nós não gostamos disso", disse Shenandoah Hinton, 15 anos, a caminho de um estábulo perto do rancho Sage Springs, onde ajudará uma ovelha a dar à luz nas próximas semanas. "Acho que muitas vezes eu acabo me bronzeando um pouco já que trabalho ao ar livre durante o dia. Às vezes, minha mãe nos faz usar protetor solar quando vamos passar o dia inteiro na feira."

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A estudante Chalene Hurst mostra máquina de bronzeamento no salão do Jamaca Ma Tan em Boise, Idaho
Shenandoah e seus vizinhos têm tomado muito cuidado com o sol.

"Todo mundo sabe os cuidados que precisam ser tomados com o sol", disse Matt Tindall, o presidente da Associação dos Pecuaristas de Owyhee. “Você acaba vestindo camisas de mangas compridas e chapéus de abas largas."

Mas Idaho mudou, e legisladores e especialistas em saúde pública da região estão enfrentando um problema que dizem ter se tornado sério nos últimos anos: shoppings suburbanos dotados de salões de bronzeamento como o Beach Club, Jamaca Me Tan, Planet Beach e Tan du Soleil.
Juntamente com um aumento de trabalhadores de colarinho branco que buscam recreação ao ar livre nos finais de semana, o uso de salões de bronzeamento está se tornando um dos principais motivos pelos quais o Estado de Idaho tem uma das maiores taxas de mortes por melanoma no país.

"Essa taxa está aumentando", disse Patti Moran, gerente do Centro de Controle Contra o Câncer do Departamento de Saúde e Bem Estar do Estado . "Isso faz com que esse assunto se torne ainda mais uma questão de saúde pública".

Demanda

Segundo a pesquisa feita pela Idaho Youth Risk Behavior, 30% das meninas do ensino médio usaram uma cama de bronzeamento nos últimos 12 meses e, segundo Moran, os dados mostraram que 4% das meninas do ensino médio usaram esses aparelhos 40 vezes por ano ou mais.

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Oficiais da saúde pública citam estatísticas que mostram que pessoas que começam a usar as camas de bronzeamento antes dos 30 anos são 75% mais propensas a desenvolver melanoma e que o melanoma é um dos cânceres mais comuns entre mulheres com menos de 30 anos de idade.

Em outubro, a Califórnia se tornou o primeiro Estado a proibir jovens menores de 18 anos de frequentar salões de bronzeamento artificial. Agora alguns legisladores estão tentando fazer o mesmo para crianças de 15 anos de idade ou menos em Idaho, onde a taxa de mortalidade por melanoma é de cerca de 18% superior à nacional, segundo Chris Johnson, epidemiologista que analisa as tendências do câncer no Estado.

Cerca de 36 Estados americanos hoje proíbem o uso de salões de bronzeamento para menores de idade. Idaho é um dos 14 sem restrições.

Doença

É complicado traçar uma linha direta entre as camas de bronzeamento e o melanoma, dependendo das outras atividades de risco praticadas pelas pessoas. Mesmo sem as camas de bronzeamento, Idaho é um candidato óbvio a capital do câncer de pele.

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Christina McEvoy descobriu ter melanoma quando estava grávida de sete meses e meio
Além da indústria de bronzeamento, existe um outro oponente ao projeto de lei que procura banir o bronzeamento artificial para menores. Wayne Hoffman é o diretor executivo da fundação Idaho Freedom.

O projeto de lei que proibiria todos os menores de idade de utilizar camas de bronzeamento artificial foi primeiro apresentado a um comitê da Câmara no mês passado e teve votação marcada para 8 de março. Um pouco antes da votação, Hoffman enviou um email para os legisladores, sugerindo que os dermatologistas podem estar apoiando o projeto porque ele aumentaria o número de pacientes que procurariam tratamento médico.

Em vez de votar no projeto de lei, a Câmara o enviou de volta a comissão. Agora adolescentes entre 16 e 17 anos teriam de ter o consentimento dos pais.

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O projeto de lei não é o único esforço sendo feito para conscientizar as pessoas. Na noite após um debate, um novo grupo formado por pessoas que têm melanoma se reuniu em uma escola secundária em Boise.

Eles assistiram a um vídeo breve e emotivo chamado "Dear 16-Year-Old Me" ou (Meus Queridos 16 anos, em tradução literal), que foi patrocinado pelo Fundo Cornfield David contra o Melanoma e adverte contra o uso de camas de bronzeamento artificial por adolescentes.

Eles também ouviram vários oradores, incluindo Mings (usem bronzeador, camisas de mangas compridas e chapéus de sol); Blake Sampson, um estudante de medicina de Idaho que passou semanas fazendo lobby no Capitólio para que os legisladores apoiassem o projeto, e Christina McEvoy, cujos cuidados contra o melanoma estão em remissão. Seu câncer, que ela acredita que foi causado pelos longos dias em que passava em uma cadeira de salva-vidas, foi diagnosticado quando ela tinha 30 anos de idade e estava grávida de sete meses e meio de seu segundo filho.

*Por William Yardley

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