Britânicos vão às urnas sob negra nuvem econômica

Grã-Bretanha só perde para Grécia em déficit governamental; futuro governo será obrigado a fazer cortes profundos e impopulares

The New York Times |

The New York Times
Cartazes críticos à situação econômica da Grã-Bretanha são vistos em Londres
Mesmo com manifestantes nas ruas de Atenas e os 16 países que utilizam o euro ameaçados por um crescente tumulto interno, a economia permaneceu o tema mais frequentemente discutido na Grã-Bretanha conforme os três principais partidos do país entravam nas últimas horas de uma campanha eleitoral que durou um mês.

No entanto, com o segundo maior déficit governamental da Europa, atrás apenas da Grécia, alguns analistas sugerem que essa pode ser uma boa eleição para se perder na Grã-Bretanha.

Quem quer que vença vai ser obrigado a fazer profundos e impopulares cortes, uma tarefa ainda mais difícil se a eleição disputada resultar em um Parlamento sem maioria absoluta para nenhum dos partidos ou um frágil governo de coalizão que poderia atrasar muitas decisões econômicas importantes.

Mas se vitória nesta quinta-feira tem um sabor amargo, pouco se percebe entre os candidatos ao posto do número 10 da Rua Downing - o primeiro-ministro Gordon Brown, do Partido Trabalhista; o líder da oposição pelo Partido Conservador, David Cameron; e o líder do Partido Liberal Democrata, Nick Clegg.

Pelo contrário, repórteres veteranos dizem não se lembrar de uma campanha desde pelo menos 1992 que tenha envolvido tanto fervor até o último instante, principalmente por parte do homem que é fortemente favorecido a ganhar o maior bloco das 650 cadeiras da Câmara dos Comuns, Cameron.

Ele fez campanha noite adentro na terça-feira, de um encontro com trabalhadores do turno da madrugada para outro, incluindo uma conversa ao amanhecer com pescadores enquanto navegava a caminho do porto de Grimsby, na costa leste.

Ainda que Cameron pareça mais propenso a surgir da votação de quinta-feira como primeiro-ministro, isso ainda está longe de ser garantido.

As pesquisas dos últimos dias mostraram os conservadores na dianteira com 5 ou 6 pontos percentuais. Essas pesquisas mostram o Partido Trabalhista e o Partido Liberal Democrata em segundo lugar, com um apoio de quase 30% cada.

Todos os três líderes partidários centralizaram suas campanhas em promessas vagas de cortar os gastos governamentais, que causaram déficits que não são vistos desde a Segunda Guerra Mundial.

A comparação com a Grécia começa com o déficit deste ano, que em 11,5% do Produto Interno Bruto não está muito longe dos 13,6% do país mediterrâneo e é muito maior do que o de países como Espanha e Portugal, que alguns economistas temem que serão os próximos países europeus a pedir resgate.

A imediata responsabilidade política disso está nas mãos de Brown e do Partido Trabalhista, que adotaram uma posição perdulária de proporções épicas desde que assumiram o poder, em 1997, gastando a um ritmo que superou a inflação em 41%.

O orçamento atual de aproximadamente US$ 1,1 trilhão inclui mais de US$ 150 bilhões para o Serviço de Saúde Pública, o triplo do que era investido no setor quando o partido chegou ao poder.

Uma de cada quatro libras gastas pelo governo vem de empréstimo, um padrão que segundo os economistas exigirá que o próximo governo faça cortes em uma escala não vivenciadas desde a Grande Depressão, bem como um doloroso aumento nos impostos.

Por JOHN F. BURNS e LANDON THOMAS Jr.

    Leia tudo sobre: Grã-BretanhaeleiçõesBrownCameronCleggeconomia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG