Brioni se adapta à crise financeira com coleção de camisetas

PENNE, Itália - A casa de moda Brioni é mais conhecida por vestir James Bond em black tie e criar ternos costurados à mão que custam a partir de US$ 4 mil e chegam a valer US$ 47 mil. Mas neste outono algo mais humilde se soma a sua coleção: camisetas.

The New York Times |

Com toques luxuosos como bordados manuais italianos e um preço de US$ 250, as camisetas não serão comuns, é claro.

Mesmo assim, ainda que outras famosas casas de moda italianas como Armani e Ermenegildo Zegna tenham cruzado esta fronteira há alguns anos, esta será a primeiro mudança radical da Brioni, cuja imagem foi construída sobre as vestimentas formais usadas por ricos senhores do campo e da cidade desde sua inauguração em 1945. 

Como tal, a mudança é mais um sinal revelador de como a crise financeira e a mudança nos hábitos dos consumidores têm forçado os fabricantes de bens luxuosos mais conservadores e de propriedade familiar a se adaptarem a um novo mundo.

Ao contrário de seus rivais maiores como Zegna, a Brioni se recusou a mudar sua fábrica da Itália para locais mais baratos como o México.

No entanto, a desavença entre moda e crise financeira alcançou até mesmo as colinas da região de Abruzzo, a duas horas e meia de Roma, onde os alfaiates ainda começam suas carreiras como aprendizes quando adolescentes, e quadros de santos padroeiros adornam as paredes da companhia.


Oficina da Brioni na Itália / NYT

Ainda que a empresa, que é particular, não faça previsão sobre seu desempenho financeiro este ano, a Brioni afirma que o clima é difícil. "Bata na madeira, nós seremos lucrativos em 2009", disse o executivo da companhia, Andrea Perrone, cujo avô co-fundou a Brioni.

A Brioni disse ter conseguido obter um lucro saudável no ano passado. A companhia faturou 32 milhões de euros (cerca de US$ 45 milhões) depois de juros, impostos, depreciação e amortização, sobre uma renda de cerca de 200 milhões de euros, o que deu uma certa continuidade a seus resultados de 2007.

A introdução da coleção de camisetas coincide com a elevação de uma nova geração na Brioni, cujos ternos e smokings geralmente vestem pessoas como Nelson Mandela, Donald Trump e o príncipe Andrew.

"Isto é uma provocação para o mercado", disse Perrone, 39. "Mostra que nós podemos fazer tudo, dos sapatos até o chapéu."


Camiseta da Brioni / NYT

A camiseta é "um sinal de que a Brioni está se concentrando em uma clientela mais jovem e um sinal de que seus clientes leais mudaram muito seu estilo de vida", disse Armando Branchini, professor de administração da Universidade Bocconi de Milão, que também é diretor executivo da Fundação Altagamma, uma associação de fabricantes de produtos luxuosos da Itália.

A camiseta nova também é uma mudança para a Brioni ainda que refletindo sua tradição.

"O produto deve ser diferente de uma camiseta da Hanes", esnobou Perrone, um herdeiro afável e aristocrático que se tornou o única chefe executivo da Brioni no mês passado, depois de fazer parte de um trio que coordenou a companhia desde 2006.

"Até mesmo se você está comprometido com sua herança, você tem que estar atento para onde o mercado se direciona", disse Perrone, passando a mão sobre as etiquetas dos anos 1950 e 1960 da Brioni que adornam a nova camiseta.

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