Brasil e Argentina reagem de maneira oposta à alta nos preços dos alimentos

SÃO PAULO, Brasil - Luciano Alves plantou feijão, milho e soja em cerca de 3 mil hectares de sua fazenda no Brasil no ano passado. Este ano, ele irá plantar 3.480 hectares acres e dá crédito ao presidente do país, Luiz Inácio Lula da Silva, por este aumento.

The New York Times |

"O governo tem nos ajudado a financiar a compra de novas máquinas", disse Alves. "Eles reduziram a taxa de juros que pagamos e nos deram mais tempo para pagar empréstimos. Isto é vital".

O aumento no preço dos alimentos significa que muitos fazendeiros em todo o mundo estão conseguindo lucros recordes. As duas potências agrícolas da América do Sul, Brasil e Argentina, estão respondendo às dificuldades no setor de formas opostas.

O governo Lula recentemente anunciou grandes créditos agrícolas, uma forma indireta de subsídio, para encorajar os fazendeiros do país a produzirem mais enquanto o preço de sua exportação está em alta no mercado mundial, uma medida que deve melhorar a economia do Brasil. Mas a Argentina, rival econômica e política do Brasil, decidiu compartilhar as dificuldades agrícolas em casa.

Preocupado com a onda de inflação que toma conta do mundo, o governo da presidente Cristina Fernandez de Kirchner aumentou os impostos de exportação sobre algumas colheitas, uma medida que buscava manter o preço dos alimentos baixos ao encorajar os fazendeiros a utilizar o mercado nacional.

"No nosso país o governo está tentando conseguir o dinheiro para subsidiar outros setores da economia", disse Eduardo Cucagna, presidente da FN Semillas, uma companhia argentina de sementes, se opondo à prática. "Eu acho que o Brasil está fazendo o oposto, se adaptando ao que o mundo oferece agora. Eles estão fazendo a coisa certa".

Na corrida para se obter vantagem sobre o mercado mundial de alimentos, o Brasil tem inúmeras vantagens sobre seu vizinho. O país é muito maior, com cerca de 70 milhões de hectares de terra atualmente cultivados, mais do que o dobro da Argentina. Uma gama maior de exportações agrícolas e, enquanto a Argentina é a segunda maior exportadora de milho e terceira maior de soja, o Brasil é o maior ou segundo maior exportador de carne, soja, suco de laranja, frango, açúcar e café.

O governo de Brasília quer que isso continue assim. No mês passado, anunciou uma linha de crédito de US$49 bilhões para os fazendeiros, cerca de 12% a mais do que no ano anterior. As autoridades dizem que os fazendeiros precisam do crédito para comprar tratores e outros equipamentos agrícolas, pagar pelas sementes e fertilizantes (cujo preço também aumentou) e aumentar sua produtividade.

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