Brasil culpa pilotos americanos por colisão

SÃO PAULO - Um relatório brasileiro divulgado na quarta-feira sobre a colisão entre um pequeno jato executivo americano e uma aeronave comercial Boeing 737 do país, que aconteceu sobre a Amazônia em 2006, coloca parte da culpa sobre os pilotos americanos que aparentemente desligaram o equipamento responsável por alertar outros aviões de sua presença.

The New York Times |

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Mas um relatório contrário, do Comitê Nacional de Segurança do Transporte dos EUA, coloca a responsabilidade no sistema de controle de tráfego aéreo brasileiro.

O acidente matou 154 pessoas que estavam a bordo do avião, um Boeing 737 operado pela Gol Linhas Aéreas Inteligentes. O jato executivo, fabricado pela Embraer, uma companhia brasileira, seguia para os Estados Unidos onde seria entregue a compradores americanos, uma companhia de táxi aéreo de Nova York. O avião foi forçado a fazer um pouso de emergência. O transponder, equipamento que foi desligado, é de fabricação americana.

Um transponder responde a pedidos de radares terrestres e outros aviões informando a identidade do avião e sua altitude, permitindo que a posição do equipamento seja determinada. Os sinais do transponder são gravados pelo sistema de tráfego aéreo terrestre.

O relatório brasileiro afirmou que o transponder do jato executivo estava ligado durante o começo do voo e foi desligado e ligado novamente. O relatório também afirma que o gravador de voz do cockpit registrou Jan Paul Paladino, o co-piloto, quando ele deixou escapar uma "exclamação" depois da colisão ao perceber que o aparelho não estava funcionando corretamente.

Depois de um silêncio de 10 segundos, Paladino disse 'Eu faço isso, eu cuido disso' e o aparelho foi ligado, afirmou o relatório.

"Standby"

O brigadeiro Jorge Kersul, líder da organização de segurança brasileira, disse aos repórteres em Brasília que o transponder foi colocado em "standby" por erro.

"Nada prova que tenha sido intencional", disse Kersul. "Nenhum som, nenhum movimento", ele disse. "Não há motivo para que façam algo assim. A hipótese mais provável é que tenha sido desligado por acidente".

Em Washington, o comitê responsável, que está envolvido nas investigações por causa dos pilotos americanos, disse concordar com os resultados das investigações brasileiras. Mas ressaltou também que "a principal missão do controle de tráfego aéreo de separar os aviões e controlar o espaço de forma positiva não teve sucesso".

Os controladores brasileiros, segundo o comitê, falharam em agir rapidamente ao perceber que o transponder havia parado de funcionar e as comunicações de rádio pararam. O design ruim dos programas de controle do tráfego aéreo pode ter contribuído para a confusão entre os controladores sobre a altitude do avião, afirma o relatório americano.

A equipe do jato executivo "não violou nenhuma regulamentação", diz o relatório americano.

Por ANDREW DOWNIE e MATTHEW L. WALD

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