Bomba na fronteira do Kosovo revela novas tensões étnicas na região

Apesar da presença de mais de 5 mil soldados da Otan, área continua volátil em meio a disputas entre sérvios e albaneses

The New York Times |

Dois incidentes violentos nesta semana ao longo da fronteira do Kosovo com a Sérvia – o último deles um ataque a bomba contra um posto de controle na quarta-feira por um grupo de cerca de 200 sérvios – revela um aumento das tensões entre sérvios e albaneses na região.

Ninguém ficou ferido no bombardeio, segundo a Associated Press. Ele ocorreu horas depois que a polícia especial do Kosovo se retirou da área após apreender um posto de fronteira na noite de segunda-feira e tentar obter o controle de um segundo. Um policial foi morto na ação.

O governo do Kosovo disse que estava exercendo seu direito como um país soberano de tomar o controle de suas próprias fronteiras, mas a ação pegou a União Europeia e a Otan de surpresa e gerou temores de um novo ciclo de conflitos étnicos no país de um país de 1,7 milhões de pessoas.

AP
Soldados eslovenos das forcas de paz da Otan reforçam segurança em check point na fronteira do Kosovo (28/7)
Apesar da presença de mais de 5 mil soldados da Otan e 3,2 mil funcionários da União Europeia, a área permanece volátil e o episódio levou a Sérvia a pedir de uma sessão urgente do Conselho de Segurança da ONU. Uma reunião fechada dos 15 membros do Conselho foi marcada para quinta-feira para que eles possam ser informados pelo departamento de manutenção da paz. Diplomatas disseram que precisavam de mais informações sobre a situação no país antes de decidir se ela deveria ser tratada em um sessão maior.

Oficiais dos Estados Unidos e Europa encorajaram o presidente sérvio, Boris Tadic, e o primeiro-ministro do Kosovo, Hashim Thaci, a aliviar a crise.

"Ações unilaterais por um lado ou outro não são úteis", disse Nicholas Hawton, porta-voz da Missão de Direito da União Europeia no Kosovo, conhecido como Eulex, que tem sido responsável pelas travessias na fronteira entre Kosovo e Sérvia desde 2008. Sérvios étnicos que vivem nesses enclaves e nas cidades fronteiriças dependem de assistência financeira, econômica e social da Sérvia.

Tadic pediu um fim imediato da violência. "Hooligans que causam violência não estão defendendo a Sérvia ou os cidadãos sérvios", disse ele em um comunicado. Ele também pediu que os sérvios do Kosovo mantenham a calma.

Mladic

Tadic, que foi elogiado no mês passado por entregar Ratko Mladic , ex-comandante bósnio sérvio suspeito de crimes de guerra, para o Tribunal de Haia na ex-Jugoslávia, também tentou acalmar a situação através do envio de oficiais de alto escalão ao Kosovo para negociar com a Otan. "Nós não queremos guerra", disse o presidente sérvio, de acordo com a Tanjug, agência sérvia de notícias.

Em um esforço para acalmar a situação, a Otan deu início a diálogos entre todas as partes, uma medida que foi elogiada pelos Estados Unidos.

A região norte de fronteira do Kosovo, que é habitada principalmente por pessoas de etnia sérvia, tem sido uma fonte de tensão desde que o Kosovo declarou sua independência no início de 2008, que foi reconhecida pelos Estados Unidos e outros países, com exceção de cinco países da União Europeia, mas não pela Sérvia ou pela Rússia. O Kosovo deve a sua independência à Otan, que interveio em 1999 para impedir a limpeza étnica sendo realizado por forças sérvias.

A Sérvia impôs um embargo unilateral sobre bens do Kosovo e na semana passada o Kosovo retaliou com uma proibição semelhante para produtos sérvios. Além disso, sérvios que enviam mercadorias para o Kosovo se recusam a aceitar em sua declaração aduaneira o selo da insignia da República do Kosovo. Veículos comerciais da Sérvia, no entanto, ainda estão autorizados a atravessar para o Kosovo enquanto a União Europeia tenta intermediar algum tipo de compromisso.

*Por Judy Dempsey

    Leia tudo sobre: kosovosérviaetniamladichadziconu

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG