Boicote cultural preocupa Israel

Pixies, Elvis Costelo e Gil Scott-Heron cancelam apresentações no país para protestar contra política do governo

The New York Times |

O cancelamento do aguardado show que a banda de rock alternativo americana Pixies faria em Israel esta semana, em meio à revolta internacional pelo ataque fatal do país à frota de ajuda humanitária para a Faixa de Gaza, teve um impacto muito maior do que a decepção de 15 mil fãs.

Alguns israelenses viram o cancelamento como um sinal de um maior isolamento que acreditam estar acontecendo por causa das políticas adotadas por seu governo. Para outros, isso serviu de prova do quão profundamente o país é incompreendido no exterior.

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Black Francis, vocalista do Pixies, em apresentação em Nova York em novembro de 2009

De qualquer forma, o cancelamento mobilizou o mundo artístico de Israel e os defensores contra a ameaça de um boicote cultural cada vez maior, que muitos veem como uma política incorreta e um castigo injusto que o público israelense não merece.

Benny Dudkevitch, editor veterano da Radio Israel e historiador de música popular, descreveu o cancelamento do show do Pixies como "um tapa na cara".

A banda deveria tocar na noite de quarta-feira em Tel Aviv. Ela é a última de uma série de artistas de primeira linha que cancelaram apresentações em Israel nos últimos meses, incluindo o roqueiro britânico Elvis Costello e o rapper e poeta americano Gil Scott-Heron.

O anúncio aconteceu com pouco tempo de antecedência, no domingo, uma semana depois que o confronto entre israelenses e a flotilha deixou nove ativistas da Turquia mortos.

Duas bandas menos conhecidas que se apresentariam no mesmo festival, Klaxons e Gorillaz Sound System, também cancelaram.

O Placebo, uma banda britânica que tocou no festival, enfrentou pedidos de boicote de ativistas no Líbano que queriam que o show da banda marcado para a noite de quarta-feira em Beirute fosse cancelado.

Shuki Weiss, um dos principais promotores e empresários de Israel, disse que tem trabalhado para levar o Pixies ao país há mais de 10 anos. "Música é uma força que geralmente combate a violência e o ódio", ele disse, qualificando o boicote de "terrorismo cultural".

Para eles, se o Pixies tinha algo a dizer aos líderes israelenses, deveriam ter ido a Israel e dito.

O guitarrista americano Carlos Santana também cancelou uma apresentação no país, marcada para junho, mas não se sabe se foi por motivos políticos ou problemas em sua agenda.

Surpreendentemente, dados os cancelamentos, 2010 tem sido um ótimo ano para as performances internacionais em Israel. Joan Armatrading, Rihanna e Metallica tocaram no país nas últimas semanas; Elton John, Rod Stewart e Diana Krall, cantora de jazz e pianista casada com Costello, devem se apresentar em breve.

Para muitos israelenses, no entanto, tais shows nunca foram apenas a respeito da música. Quanto maior o artista, mais Israel se sentia como um país comum, menos definido por um conflito; cada show era visto como um sinal da aceitação global que os israelenses buscam.

Por Isabel Kershner

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