Bilionário mexicano evita críticas por meio de sua influência

CIDADE DO MÉXICO ¿ Carlos Slim Helu estava obviamente incomodado. Ele havia convidado dúzias de correspondentes internacionais para almoçar no ano passado e, após muitas questões sobre as tendências da economia, um jornalista o pressionou sobre como ele se sentia em ter tanto dinheiro em um país onde muitos se esforçam para viver com pouco.

The New York Times |

Slim cortou o repórter e sua economia doméstica de um vasto império de negócios. Seu tom seco deixou claro que ele não admitiria esse tipo de questionamento. O homem mais rico do México e agora acionista, que faz empréstimos ao The New York Times, tem uma relação complexa com a mídia. Ele investe dinheiro em uma rede de televisão e companhias de jornais e diz que vê um futuro brilhante para aquelas companhias de mídia que forem adequadas.

Mas quando a mídia o coloca como o centro das atenções, Slim algumas vezes dá a impressão de que quer ser deixado em paz para conseguir mais dinheiro em paz.

Como leitor ávido de jornal do que ele chama geração de papel, Slim diz que vê uma mudança para as notícias digitais, que deixou as empresas de jornais lutando, sem necessariamente representar a elas uma morte de fato. Ele as compara às companhias de transporte na virada do século 20 que sofreram com o advento do automóvel. Aqueles que continuaram usando cavalos de deram mal.

Império vasto

Com as empresas de telecomunicações, de revenda e construção sob seu comando, Slim se aproxima do cenário da mídia em seu país. Ele não tem que atender ao telefone e falar alto com aqueles que publicam ou transmitem algo de que ele não gosta. Seus vastos recursos frequentemente mudam para coberturas menos críticas.

Slim se recusou por meio de seu porta-voz e genro, Arturo Elias, a ser entrevistado para esse artigo.

Raymundo Riva Palácio, jornalista veterano na Cidade do México, disse que após ter escrito uma coluna no jornal El Universal em 2006, condenando Slim chamando-o de monopolista, um assessor do bilionário ameaçou retirar os anúncios de sua empresa do jornal.

Não houve ameaças menores. O poder de Slim é tão grande que ele controla grande parte da publicidade do país. Eduardo Garcia, jornalista mexicano que tem um website de notícias financeiras de idioma espanhol e acompanha Slim, estimou sua riqueza em US$ 44 bilhões até o fim de 2008.

Poder sobre a mídia

Eu considero isso parte da dinâmica natural entre a mídia e o poder no México, disse Riva Palacio, acrescentando que o incidente foi calmamente resolvido. É assim que as coisas funcionam aqui.

Elias, porta-voz de Slim, disse que nenhum anúncio foi retirado e que Slim não utiliza seu poder econômico dessa forma. Somos um anunciante importante, sim, mas isso não nos dá o direito de se intrometer no lado editorial, disse Elias.

Slim construiu sua fortuna comprando empresas desvalorizadas e levantando-as, mas ele entrou no topo do ranking dos bilionários do mundo quando comprou o monopólio do telefone, Telefonos de México, conhecida como Telmex, do governo em 1990.

Mercado de telefonia

Os críticos dizem que suas conexões políticas ajudaram-no a obter a empresa, mas ele alegou que sua oferta de US$ 1,76 bilhões estava acima do preço de mercado.

Atualmente, embora o mercado de telefonia do México seja ostensivamente aberto à concorrência, seus juros estão entre os mais altos do mundo. A Telmex controla mais de 90% do mercado local de linhas fixas e mais de 70% do mercado de celulares. Os competidores dizem que a companhia apresenta obstáculos repetidamente e reguladores relutam em agir.

Driblando críticas

No que diz respeito à mídia, os negócios familiares de Slim incluem investimentos em uma variedade de redes televisivas e comprou 1% da ações do The Independent, da Grã-Bretanha, no ano passado,

Seu crescimento é enorme, disse Garcia, que publica um site de notícias financeiras na Cidade do México, (sentidocomun.com.mx), que aponta muitas das propriedades de Slim. É assim que ele encobre todas as críticas que aparecem em seu caminho.

Ele pode abafar críticas, mas não todas. Denise Dresser, cientista política do México, lembra regularmente em colunas de jornais que foi o tratamento favorável do governo, e não a perspicácia nos negócios, que o tornou rico.

Indo mais a fundo na história, ser um monopolista cruel que se aproveita dos consumidores mexicanos não é uma imagem de si mesmo que ele gosta, mas é sua verdadeira imagem, disse. A possibilidade de que ele usaria sua influência em si mesmo parece uma piada.

Por MARC LACEY

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