Bienal de Veneza abre ao público em versão mais serena

VENEZA ¿ Semanas antes do mundo da arte tomar conta desta cidade de cintilantes canais e igrejas paladinas, houve grande especulação sobre os efeitos da crise econômica na 53º Bienal de Veneza, a Olimpíada de arte aberta ao público no domingo.

The New York Times |

O Giardini, jardim que é lar da Bienal há mais de um século, juntamente com o Arsenal, antigo estaleiro e fábrica de cordas no qual frotas venezianas eram construídas, pareciam perceptivelmente menos cheios nos quatro dias de pré-estreia abertos a colecionadores, diretores de museus, curadores e executivos de casas de leilões. Também houve menos festas, celebridades e a instalações grandiosas.

Os organizadores tentaram diminuir o papel da pressão financeira na edição deste ano, mas reconheceram que tiveram US$ 1,4 milhão a menos em seu orçamento do que há dois anos.

Para compensar, eles aumentaram entrada de US$ 21,25 para US$ 25,50. Ainda assim, todos queriam participar. "Nenhum artista disse não", insistiu Daniel Birnbaum, diretor artístico deste ano. "Nenhum projeto deixou de acontecer". 

No entanto, muitos artistas tiveram que pagar por seus próprios projetos, quando em momentos de caixa fluído este não é um problema. "É como ser convidado a uma festa e ter que levar sua própria comida e bebida", ouviu-se um artista reclamar.

Mas a Bienal de Veneza, que acontece até o dia 22 de novembro, ainda que mais silenciosa tem um certo poder. "Não há gigantismo, nem ostentação", afirmou Tom Eccles, diretor do Centro de Estudos de Curadoria Bard em Annandale-on-Hudson, Nova York. "Mas este é o lado positivo. Lidamos com uma crise na qual todos tiveram que pensar mais e fazer escolhas. Como resultado disso você tem que parecer um pouco mais cuidadoso".

Entre as exposições mais comentadas está uma pesquisa de quatro décadas de Bruce Nauman no pavilhão americano, que recebeu o prêmio de melhor pavilhão nacional deste ano.

O tema da exposição central ("Criando Mundos") foi escolhido por Birnbaum para refletir a globalização. Uma exposição cheia de consideração, ela propositalmente inclui muitos artistas que não são prata da casa. "Este não é um relatório anual", disse Birnbaum. "Eu queria ampliar os horizontes do que é visto como canônico".

Uma das primeiras coisas que o visitante vê no prédio central é uma sala branca com uma enorme teia criada com cordas elásticas. O trabalho do artista argentino Tomas Saraceno, que se inspirou no arquiteto Buckminster Fuller, é tão arquitetônico quanto filosófico. A teia, cuja forma por facilmente ser desfeita, é sua metáfora para a fragilidade do mundo que nos cerca.


Instalação de Tomas Saraceno / AFP

"É esta ideia da origem do universo", disse Saraceno. A instalação não está ali simplesmente para ser observada. Os visitantes podem andar por dentro e através das teiras. "Espero que as pessoas se prendam nela", ele afirmou.

- CAROL VOGEL

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