Beatificação de João Paulo 2º leva a críticas e polarização

Críticos questionam tempo recorde para canonização e ressaltam crise de abusos sexuais que vieram à luz sob papado anterior

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A partir de domingo, o papa Bento 16 vai presidir o maior espetáculo papal desde a sua própria posse, em 2005: a missa de beatificação que irá colocar seu adorado antecessor um passo mais perto da canonização.

A beatificação é amplamente vista como uma forma não apenas de homenagear o papa João Paulo 2º, mas também de dinamizar a Igreja Católica Romana, após um período difícil. No entanto, como o próprio papado de 26 anos de João Paulo 2º, o procedimento já causou intensa divisão.

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Visitantes conversam próximo a pôster do papa João Paulo 2º, na Praça São Pedro
Primeiramente, Bento 16 renunciou à tradicional espera de cinco anos e iniciou o processo apenas algumas semanas depois da morte de João Paulo 2º e os críticos de todo o espectro da Igreja Católica questionam essa pressa.

Outros dizem que a crise de abusos sexuais que vieram à luz sob o papado de João Paulo 2º é motivo contra a santidade. No sábado, pelo menos um grupo de vítimas está planejando um protesto mundial.

Os defensores, no entanto, dizem que a beatificação é simplesmente o selo oficial de aprovação para um papa popular que ajudou a derrubar o comunismo e que muitos católicos já consideram um santo.

Roma

As festividades devem atrair centenas de milhares de pessoas a Roma, a maior audiência desde 2005, quando os gritos de "Santo subito!" ou "Santidade agora", tomaram conta da missa fúnebre de João Paulo 2º.

"Essa beatificação é diferente, porque esse papa foi diferente. Ele é um homem com um papel na história, não apenas na história da igreja", disse Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Santo Egídio, um grupo liberal católico, e biógrafo de João Paulo II, que testemunhou em seu favour no processo de beatificação.

Para observadores do Vaticano, a beatificação de João Paulo 2º é um retrato perfeito da Igreja Católica no ano de 2011 – uma mistura de fé profunda e densa burocracia, devoção popular e política de poder de cima para baixo.

De muitas maneiras, a beatificação ressalta como Bento 16, um papa estudioso cuja papado tem sido abalado por crises e é intelectualmente orientado para a Europa, ainda deriva muito da luz e do calor de seu antecessor mais global e televisivo.

Mas isso também mostra como nuvens escuras ainda pairam sobre o papado de João Paulo 2º, pelo menos quando o assunto é a crise de abusos sexuais. Críticos dizem que, ao beatificar João Paulo 2º, o Vaticano está tentando fechar os livros de história antes de terem sido completamente abertos.

Questionado em uma recente conferência em Roma se a crise de abusos sexuais se tornou um problema no processo de beatificação, o Cardeal Angelo Amato, chefe da Congregação do Vaticano para as Causas dos Santos, disse: "O pecado existe. Nossos pecados existem. Mas eles não impedem a santidade dos outros”.

*Por Rachel Donadio

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