Barreira é derrubada em antiga área de tensão em Jerusalém

Exército de Israel começa a derrubar muro de concreto erguido em 2002 para proteger residentes de franco-atiradores palestinos

The New York Times |

No domingo, militares israelense começaram a desmantelar uma barreira de concreto que protegia os moradores de um bairro da antes tumultuada fronteira de Jerusalém de franco-atiradores palestinos.

No auge da segunda Intifada, a violenta revolta palestina que eclodiu em 2000, a barreira formada por altos blocos de concreto protegia os habitantes de Gilo, cuja maioria é de judeus, de franco-atiradores que subiam nos telhados de casas de uma vila da Cisjordânia localizada do outro lado do vale.

A barreira improvisada se tornou rapidamente um símbolo da intimidade geográfica da luta entre israelenses e palestinos, e da precariedade da vida em meio ao conflito. Seu desmantelamento revela a calma que reina atualmente na área.

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Soldados israelenses retiram blocos de concreto que formavam barreira em Jerusalém

No passado, apenas o vale separava Gilo, construída por Israel na terra que capturou da Jordânia na guerra de 1967, de Beit Jala, aldeia predominantemente cristã na Cisjordânia, e de outras vilas localizadas sobre as colinas perto de Belém.

Dentro da cidade de Jerusalém, nos limites definidos pelos líderes de Israel depois da guerra, Gilo é considerado um bairro do sul da cidade pela maioria dos israelenses. Mas a maioria dos palestinos o considera um assentamento construído em terras ocupadas.

Durante os primeiros anos da segunda Intifada, ruas como a Ha'anafa Hashayish, que antes tinham como característica sua vista de imagens com conotações bíblicas, se tornaram um campo de batalha.

Militantes palestinos dispararam vários tiros e alguns morteiros através do vale, ferindo gravemente várias pessoas na região. Tanques israelenses estacionados respondiam aos ataques.

Em 2001, as forças israelenses rapidamente tomaram o controle de partes de Beit Jala pela primeira vez desde a chegada da Autoridade Palestina em meados da década de 1990.

Em 2002, os blocos de concreto foram colocados ao longo de várias ruas em diversos setores, por um total de cerca de 550 metros. Estudantes de arte pintaram murais nos painéis cinzas, representando as montanhas, as oliveiras e as casas que a parede tapava.

Após vários anos de silêncio, alguns acreditavam que era hora da barricada antiatiradores ser removida.

Moradores levaram a questão ao município de Jerusalém, segundo um porta-voz da prefeitura, e agentes de segurança concordaram que os blocos de proteção poderiam ser removidos.

“Nós não estamos onde estávamos em 2002”, disse Yoram Biton, oficial do corpo de engenharia militar, que acompanhava enquanto um guindaste colocava os blocos em caminhões. “A Autoridade Palestina ficou mais forte e tem uma força policial organizada”.

Muitos moradores pareciam convencidos - outros não. “Os tiros irão recomeçar”, disse Racheli Aroeti, 30, mãe de quatro filhos que vive na rua Hashayish. “Eles estão cometendo um erro”.

Os blocos de concreto estão sendo levados para uma base militar nas proximidades. As autoridades militares disseram que, se necessário, poderão ser recolocados.

Cada bloco foi numerado, de modo que se a barricada de Gilo tiver que ser remontada um dia, as peças podem ser colocadas na ordem correta, mantendo intacto o mural.

Por Isabel Kershner

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