Bancos demonstram precisar de mais dinheiro de resgate

WASHINGTON - Mesmo antes do vazamento de informações sobre a divisão do Citigroup para recuperar suas finanças, uma mensagem pouco agradável transitava pelo Congresso e pela equipe do presidente eleito Barack Obama: os bancos precisam de mais dinheiro do contribuinte.

The New York Times |

Aparentemente, muito dinheiro

Obama parece saber: uma semana antes de tomar posse, ele faz lobby no Congresso para a liberação de metade do fundo de resgate da indústria financeira. Líderes democratas no Congresso parecem saber também: eles pedem que seus companheiros ajam rapidamente para liberar o dinheiro do resgate. E Ben S. Bernanke, presidente do Federal Reserve, certamente sabe.

Na terça-feira, Bernanke defendeu publicamente a necessidade de que um dos planos mais impopulares e desdenhados de Washington (o resgate de US$700 bilhões) injete outras centenas de bilhões de dólares nos mesmos bancos e instituições financeiras que já receberam ajuda federal e causaram grande parte do início da crise do crédito.

O exemplo mais óbvio de que o sistema bancário precisa de mais ajuda é o Citigroup. Apesar de já ter recebido US$45 bilhões do Tesouro, a instituição está em uma situação tão difícil que terá que se dividir .

A medida, que inclui transformar seus negócios prejudicados em um empreendimento misto com o Morgan Stanley, marcaria de forma abrupta o final da existência do Citigroup, que atuou como gigante financeiro nas últimas duas décadas.

Como muitos bancos, o Citigroup vê suas finanças continuarem a deteriorar enquanto a economia enfraquece.

Mesmo alguns dos maiores críticos do plano de resgate reconhecem que a situação piorará muito sem essa medida e que o resgate atingiu seu principal objetivo, que era evitar o total colapso do sistema financeiro.

Desde setembro, nenhum banco chegou à falência e os mercados de crédito têm se mantido de alguma forma.

Mas analistas dizem que os problemas ainda são graves, ainda que menos aparentes. Os bancos receberam US$200 bilhões em capital do Tesouro desde o outono e emprestaram outras centenas de milhares de dólares do Fed. Mas enquanto isso, a economia piorou como deve continuar a fazer até o verão.

Analistas do setor estimam que o aumento no desemprego e a falência de negócios irá levar a perdas de outros US$500 bilhões a US$750 bilhões nos próximos meses. Isso pode elevar o total de perdas da crise a um valor entre US$1,5 trilhões e US$1,8 trilhões, o dobro de estimativas anteriores.

Por EDMUND L. ANDREWS

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