Bancos americanos podem usar dinheiro de resgate para proteger seus próprios investimentos

Mesmo enquanto o governo adota medidas para tapar os buracos nos bancos americanos, novos problemas continuam a aparecer.

The New York Times |

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Conforme dois gigantes financeiros, Citigroup e Merrill Lynch, reportavam perdas multibilionárias na quinta-feira, o setor ultrapassava uma marca sombria: todo o lucro combinado conquistado pelos bancos nos últimos anos desapareceu.

Desde meados de 2007, quando a crise do crédito teve início, os nove maiores bancos do país somavam investimentos ruins num total de US$323 bilhões. Com a possibilidade cada vez maior de recessão, as dificuldades não devem parar por aí. Os problemas que tiveram início com as hipotecas, segundo especialistas, migraram para os financiamentos de carros, cartões de crédito e empréstimos para construção.

A situação ressalta uma questão crucial em relação ao plano do
governo: os bancos irão usar seu novo capital rapidamente, como o Tesouro espera, ou destravar o fluxo de crédito da economia? Ou eles usarão o dinheiro para proteger a si mesmos?

Mas o secretário do Tesouro Henry M. Paulson Jr. pediu que eles usem o novo capital logo. Na segunda-feira, Paulson revelou planos de oferecer US$125 bilhões a nove bancos sob termos mais favoráveis do que teriam conseguido no mercado. O governo, no entanto, não ofereceu exigências por escrito sobre como ou quando os bancos precisarão usar o dinheiro.

Merrill, que passará a fazer parte do Bank of America, reportou uma perda de US$5.15 bilhões, causada por cerca de US$12 bilhões em reduções.

O Citigroup perdeu US$2.82 bilhões, conforme seus US$13.2 bilhões em gastos relacionados à perda de crédito absorveram os lucros gerados pelo banco. Analistas afirmam que o Citigroup ainda deve enfrentar bilhões em perdas diante do desaceleramento da economia global.

No caso dos nove maiores bancos comerciais (Citigroup, Merrill Lynch, Bank of America, Morgan Stanley, JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Wells Fargo, Washington Mutual e Wachovia) os lucros de 2004 até meados de 2007 somaram US$305 bilhões. Mas desde julho de 2007, aqueles bancos cobriram suas despesas com empréstimos e outros investimentos com quase a mesma quantia.

"As perdas de agora mostram que de certa forma os lucros declarados nos anos anteriores não fora reais, porque eles se arriscaram demais naquele período", disse Richard Sylla, economista e historiador da Escola de Negócios Stern da Universidade de Nova.

Por  LOUISE STORY e ERIC DASH

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