Banco Mundial diz que recessão econômica será global em 2009

WASHINGTON - A economia mundial está prestes a entrar em uma rara recessão global, disse o Banco Mundial em uma previsão divulgada na terça-feira, com uma queda forte prevista para os negócios mundiais pela primeira vez desde 1982 e o fluxo de capital para os países em desenvolvimento caindo até 50%.

The New York Times |

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As projeções estão entre as mais extremas de uma onda de previsões sombrias para a economia mundial e os responsáveis pelo Banco Mundial alertaram que se estiverem corretas, as dificuldades podem levar muitos países em desenvolvimento à crise e manter milhões de pessoas na pobreza.

Ainda mais preocupante, segundo diversos economistas, é que não existe nenhum mecanismo óbvio que possa gerar uma recuperação.

Os consumidores americanos provavelmente não irão retomar seus gastos habituais, mesmo depois que os Estados Unidos saírem da atual crise financeira. Com o crescimento na China desacelerando rapidamente, os consumidores locais não irão substituir os americanos. A queda no preço do petróleo (um dos efeitos da crise) diminuiu o poder de compra dos consumidores das potências petrolíferas.

"Nós agora sabemos que a crise financeira pode ser a pior desde os anos 1930", disse Justin Lin, principal economista do Banco Mundial, resumindo as projeções.

O banco prevê que a economia global terá um crescimento de 0,9% em 2009, uma queda dos 2,5% deste ano e 4% de 2006. Este é o menor ritmo desde 1982, quando o crescimento global era de 0,3%. Países em desenvolvimento irão crescer uma média de 4,5% no próximo ano (ritmo que segundo os economistas constitui uma recessão, dada a necessidade destes países crescerem rapidamente para gerar empregos para sua crescente população).

"Não é preciso crescimento negativo em países em desenvolvimento para que a situação seja como uma recessão", disse Hans Timmer, que dirige as projeções e análises internacionais do banco. Ele previu aumento no desemprego e o fechamento de fábricas em muitos destes países.

O volume de negócios mundiais, que cresceu 9,8% em 2006 e estimados 6,2% este ano, irá retrair 2,1% em 2009, afirmou o relatório. Essa queda seria ainda pior do que a maior já registrada nos negócios: 1,9% em 1975.

Os fluxos de capitais privados para países em desenvolvimento devem cair para US$530 bilhões em 2009, de US$1 trilhão em 2007.

A perda deste capital irá restringir os investimentos em economias de mercados emergentes, afirmou o relatório, com o crescimento dos investimentos anuais desacelerando para 3.5% em 2009 de 13.2% em 2007.

Por MARK LANDLER

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