Bairro planejado se torna campo de batalha na França

Tumulto em Villeneuve é usado por Sarkozy como símbolo de uma campanha em busca de medidas duras para imigração e criminalidade

The New York Times |

Uma comunidade urbana construída em 1970 na França aos poucos se tornou um bairro pobre povoado por uma juventude sem rumo, antes de finalmente ser tomado por chamas há três semanas.

Depois que Karim Boudouda, um jovem de 27 anos de ascendência africana, e alguns de seus amigos roubaram um casino, ele foi morto em uma troca de tiros com a polícia.

Na noite seguinte, Villeneuve, um bairro cuidadosamente planejado de Grenoble, no leste da França, foi tomado pelo tumulto. Uma multidão incendiou quase 100 carros, destruiu um bonde elétrico e queimou um anexo da prefeitura.

A polícia, reforçada pela tropa de choque nacional, respondeu com aparelhagem no melhor estilo "Robocop", com helicópteros e câmaras de televisão, e fez uma série de prisões em uma operação de invasão.

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O bairro de Villeneuve, região pobre de Grenoble, na França

O presidente Nicolas Sarkozy rapidamente aproveitou a situação como símbolo para uma nova campanha que busca adotar medidas mais duras sobre a imigração e a criminalidade.

No dia 30 de julho, cerca de 10 dias após os tumultos, ele foi a Grenoble para fazer um discurso feroz condenando a violência, culpando "uma imigração insuficientemente regulamentada" que "conduziu a um fracasso na integração”.

Ele prometeu negar a cidadania automática aos 18 anos aos filhos franceses de estrangeiros, se eles tiverem passagem na polícia como delinquentes juvenis. Sarkozy disse que também irá remover a nacionalidade francesa de estrangeiros que forem condenados por ameaçar ou agredir um policial ou por crimes como a poligamia e a circuncisão feminina, que são comuns no norte da África.

"A nacionalidade francesa deve ser merecida, e é preciso provar-se digno dela", disse o presidente. "Quando você abre fogo contra um agente das forças de ordem, você não é mais digno de ser francês".

Após os motins, o ministro do Interior, Brice Hortefeux, demitiu o chefe da polícia local.

Michel Destot, prefeito socialista de Grenoble, disse que a demissão foi injusta. Grenoble precisa de mais policiais, pois perdeu 17% de sua força desde 2002, depois que Sarkozy, então ministro do Interior, reduziu drasticamente a prática de batidas policiais.

O prefeito disse que Sarkozy estava usando Villeneuve para fins políticos, quando os problemas são mais profundos e nacionais.

"Estamos em um dos chamados grandes países dos direitos humanos", disse ele, mas a promessa de Sarkozy de "ir à guerra contra os criminosos" significa realmente "ir à guerra contra uma comunidade étnica, contra um bairro", algo que Destot diz ser "loucura". "O papel dos líderes políticos é aproximar as pessoas, para fazer a paz de uma certa maneira", disse ele.

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