Avisos não são o suficiente para as famílias em Gaza

GAZA ¿ A família Samouni sabia que estavam em perigo. Eles disseram que chamaram a Cruz Vermelha por dois dias, implorando para que fossem levados para fora de Zeitoun, área pobre no leste da Cidade de Gaza que é considerada a fortaleza do Hamas.

The New York Times |

Nenhum resgate veio. Ao invés disso, soldados israelenses entraram no prédio no domingo à noite, 4, e mandaram-lhes irem para outro prédio. Eles foram. Mas às seis horas da manhã, na segunda-feira, 5, quando um míssil lançado por um avião de guerra israelense atingiu a casa de seus parentes onde eles foram procurar abrigo, não havia mais para onde fugir.

Onze membros da grande família Samouni foram mortos e 26 foram feridos, de acordo com testemunhas e funcionários do hospital, com cinco crianças com quatro anos ou menos entre os mortos.

Centenas de membro do clã encheram o Hospital Shifa, todos de Zeitoun, muitos deles em choque. Masouda al-Samouni, 20, perdeu sua sogra, seu marido e seu filho de 10 meses, Ela disse que estava preparando comida para o bebê quando o míssil os atingiu. Ele morreu com fome, disse ela.

Nos dez dias da ofensiva israelense contra o Hamas, grupo militante islâmico que governa Gaza, o preço alto pago pelos civis aumentou ainda mais juntamente com aquele dos militantes mortos.

Com a aproximação do conflito na cidade, as pessoas de Gaza começaram a acusar Israel de mirar civis deliberadamente para fazê-los ir contra o Hamas. Israel culpa o grupo por focar o conflito propositalmente em áreas de população densa da faixa, que é estreita e altamente populosa e de usar os residentes como escudo humano.

Israel

Não temos a intenção de fazer mal a civis, disse Maj. Avital Leibovich, porta-voz militar israelense. O Hamas cinicamente usa civis palestinos ao operar no meio deles, disse ela, acrescentando que algumas vezes pode haver situações nas quais civis são feridos.

Israel começou a ofensiva em 27 de dezembro com uma intenção primária de acabar com a infraestrutura militar do Hamas e sua capacidade de lançar mísseis no sul de Israel. Cerca de 550 palestinos foram mortos até agora, de acordo com a ONU. Funcionários de hospital em Gaza disseram que ao menos 93 pessoas foram mortas e mais de 370 foram feridas desde sábado, 3, quando as forças israelenses por terra se juntou à ofensiva.

Mortes

No populoso campo de refugiados de Shati, perto da costa, outra família foi destruída na manhã de segunda-feira, 5, quando uma bomba lançada de um navio da marinha caiu na casa onde moravam enquanto estavam dormindo.

E no distrito de Tuffah, outra vizinhança pobre no leste da Cidade de Gaza, israelenses dispararam bombas de um tanque em outra casa, disseram testemunhas. Um vizinho levou Mumin Alawi, 13, para o hospital em um carro particular. Quando Muhammad Alawi, pai de Mumin, procurou por ele e encontrou seu filho morto, ele ficou fora de si e quis se jogar de uma sacada antes de ser segurado por parentes.

Ele morreu como um mártir, disse a mãe de Muhammad, tentando confortá-lo. Ao menos esse corpo está inteiro.

Um oficial da Cruz Vermelha em Gaza disse que houve muitos pedidos de ajuda. No caso da família Samouni, disse ela, a organização foi avisada pelos israelenses que seria muito perigoso entrar na vizinhança de Zeitoun.

Estudo

Um estudo que será publicado em breve em Israel pelo Centro de Inteligência e Informação Terrorista, grupo de pesquisa independente que tem fortes laços com a instituição militar israelense e apoiada pelo Congresso Americano Judeu, apresenta o Hamas com uma estrutura militar metodicamente construída no coração dos centros populares.

Ele também mostra fotografias de militantes fabricando e estocando armas dentro de casa e soldados israelenses encontrando facas escondidas em uma mesquita no norte de Gaza durante uma incursão militar em março de 2008.

O Hamas não apenas se esconde na população, sustenta o estudo, mas também tornou a estratégia de direcionar o exército para áreas mais populosas para lutar seu maior componente de combate ¿ um modelo que agora está desgastado.

Perto do perigo

Shireen Shihab, 30, moradora da Cidade de Gaza, disse segunda-feira, 4, que ela viu militantes do Hamas disparando mísseis contra Israel de um local a duas quadras de sua casa. Ela disse que ninguém pôde expressar oposição alguma por medo de serem rotulados de espiões.

Shihab, ex-partidária do Fatah, rival secular do Hamas, disse que os israelenses e seus aliados pró-palestinos ocidentais do Fatah estão usando as pessoas, matando-as para fazer o Hamas pagar o preço.

Entre os sobreviventes da família Samouni, opiniões foram divididas. Alguns abençoavam a resistência. Mas Hamada Al-Samouni, 28, que foi ferido levemente por um míssil israelense e aparenta ainda estar em choque, disse que tudo isso aconteceu por causa dos mísseis disparados pelo Hamas.

Ele disse que viu os corpos de oito combatentes do Hamas vestidos com roupas de civis deitados nas ruas de Zeitoun. Eles ficaram lá caídos por dois dias e ninguém foi recolhê-los, disse ele.


Por TAGHREED EL-KHODARY e ISABEL KERSHNER

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