Aviões não tripulados dos EUA irritam governo do Iraque

Uso de aeronaves para proteger prédios e funcionários do governo americano pode indicar expansão de operações

The New York Times |

Um mês após a retirada dos últimos soldados americanos do Iraque , o Departamento de Estado ainda conta com uma pequena frota de aviões não tripulados no país, encarregados de patrulhar a Embaixada e o Consulado dos Estados Unidos. As aeronaves também servem para proteger oficiais americanos ainda presentes no Iraque.

Autoridades iraquianas de alto escalão disseram estar indignadas com o programa, afirmando que as aeronaves não tripuladas representam um desrespeito à soberania iraquiana.

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Um avião não tripulado dos EUA, modelo MQ-9 Reaper, em foto sem data

O programa foi descrito pelo setor diplomático do Departamento de Estado em uma seção pouco chamativa de seu mais recente relatório anual. Em duas páginas foram detalhados os termos necessários para que qualquer outro departamento do governo possa vir a gerenciar o programa. O relatório pode fazer parte de uma possível expansão das operações de aviões não tripulados em setores diplomáticos do governo dos Estados Unidos. Antes disso, as aeronaves eram utilizadas principalmente pelo Pentágono e pela CIA (agência de inteligência americana).

Empreiteiros dos EUA dizem ter sido informados de que o Departamento de Estado está considerando implementar futuramente o método de vigilância de aviões não tripulados em alguns outros países considerados de "ameaça elevada", incluindo a Indonésia e o Paquistão, e eventualmente no Afeganistão, quando a maioria dos soldados americanos deixar o país nos próximos dois anos.

Oficiais do Departamento de Estado disseram que nenhuma decisão foi tomada quanto à implementação dos aviões de vigilância não tripulados além dos que estão operando no Iraque.

Os aviões não tripulados são os exemplos mais recentes dos esforços que o Departamento de Estado vem fazendo para exercer uma função que antigamente cabia apenas aos militares no Iraque.

O Departamento de Estado começou a operar alguns aviões não tripulados no país no ano passado apenas como um experimento e intensificou o seu uso após os últimos soldados americanos deixarem o solo iraquiano em dezembro.

Os Estados Unidos, que devem abrir licitações para o gerenciamento de operações de aviões não tripulados no Iraque ao longo dos próximos cinco anos, precisam de uma aprovação formal do governo iraquiano para utilizar este tipo de aeronave no país, disseram as autoridades iraquianas.

Essa aprovação pode ser inatingível, dadas as tensões políticas entre os dois países.

Agora que os soldados americanos deixaram o país, muitas vezes os políticos iraquianos denunciam os Estados Unidos em uma tentativa de ganhar o apoio de seus seguidores.

Um oficial sênior dos Estados Unidos disse que negociações estão em andamento para obter a autorização para as operações dos aviões não tripulados, mas Ali Al-Mosawi, um conselheiro do primeiro-ministro Nouri Al-Maliki, o assessor de segurança nacional do Iraque, Falih Al-Fayadh, e o ministro do interior, Adnan Al-Asadi, disseram em entrevistas que não haviam sido consultados pelos americanos.

Al-Asadi disse que ele não é a favor do programa de aviões não tripulados: "Nosso céu é nosso céu, e não o céu dos Estados Unidos."

Na próximas semanas, o Departamento deverá apresentar uma proposta mais detalhada, abrindo espaço para propostas de empresas privadas para operar os aviões. Esse documento deverá descrever o escopo do programa, incluindo seu custo e outras diretrizes.

Por Eric Schitt e Michael S. Schmidt

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