Ávido por dinheiro, Japão fica nervoso com aquisições chinesas

Medo de que 'dinheiro da China' esteja comprando a pátria japonesa está se espalhando por todo o país

The New York Times |

O plano de incorporadoras imobiliárias chinesas de investir na pequena cidade montanhosa de Misasa revelou uma crise de confiança dos japoneses.

Para os moradores locais, o desenvolvimento planejado - focado em casas de veraneio para chineses ricos - é uma bem-vinda infusão de capital em uma cidade que está em declínio desde a década de 80 como resort de águas quentes.

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Homem se banha nas águas quentes de Misasa, refúgio em que chineses estão cada vez mais de olho
Mas em outras regiões do Japão – houve relatos na mídia nacional, ainda que nem todos sejam precisos – o investimento é uma ameaça para a floresta virgem da região e seus córregos, uma grilagem de terras que ameaça os recursos naturais do país e um assustador lembrete do avanço da China, que recentemente ultrapassou o Japão para se tornar a segunda maior economia do mundo depois dos Estados Unidos.

O medo de que o "dinheiro da China" esteja comprando a pátria japonesa está se espalhando por todo o país, atiçado por reportagens e uma ansiedade geral a respeito do desvanecimento dos empreendimentos econômicos de Tóquio e um vizinho rico cada vez mais hostil.

O montante de dinheiro investido ainda é pequeno para os padrões da China, mas parece estar desencadeando uma reação desmedida entre os japoneses.

O recente recuo de Tóquio no confronto diplomático a respeito da prisão de um capitão de um barco de pesca chinês e a suspensão da China do envio vital de metais e minerais industriais para o Japão já alarmaram muitos japoneses.

"Eu sou a favor de laços mais estreitos com a China, mas precisamos estar atentos", disse Hideki Hirano, autor do livro "Japan's Forests Under Siege: How Foreign Capital Threatens Our Water Source” (As Florestas do Japão Sob Cerco: Como o Capital Estrangeiro Ameaça a Nossa Fonte de Água, em tradução livre), que foi publicado em março. "Nós precisamos ser mais vigilantes sobre quem está comprando o quê", explicou.

Mas em Misasa, entretanto, a retórica nacionalista é muitas vezes temperada com pragmatismo.

"Chineses ricos gastam dinheiro de uma forma que já não se faz no Japão", disse Kiyomi Kawakami, um empreendedor local que pretende construir 47 casas de luxo em Misasa com parceiros de Xangai. "As pessoas me avisaram para não vender terra para os chineses. Mas tenho um negócio, e se alguém quer comprar eu quero vender".

*Por Hiroko Tabuchi

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