Avanços tecnológicos desafiam tentativa de censura no Irã

Pouco depois que Neda Agha-Soltan sangrou até a morte no asfalto de Teerã, o homem que fez o vídeo de 40 segundos que registrou o momento e cruzou o mundo calculou os riscos do jogo de gato e rato que teria que travar com a censura iraniana. Ele sabia que o governo havia bloqueado websites como o YouTube e o Facebook. Portanto, tentar enviar o vídeo a estes centros de mídia social colocaria a ele e sua família em risco.

The New York Times |


Ao invés disso, ele enviou um e-mail com o vídeo de 2 megabytes anexado a um amigo próximo, que rapidamente repassou ao Voice of America, ao jornal "The Guardian" de Londres e a outros cinco amigos que vivem na Europa, com uma mensagem que dizia simplesmente: "por favor, deixe o mundo saber". Foi um destes amigos, um expatriado iraniano que vive na Holanda, que publicou o vídeo no Facebook, chorando ao fazer isso, como ele relembra.

Cópias do vídeo, bem como um outro mais curto feito por outra testemunha, se espalharam instantaneamente pelo YouTube e foram televisionados em poucas horas pela CNN. Apesar de um prolongado esforço do governo do Irã em manter a mídia desinformada sobre a violência dos eventos que têm atingido as ruas do país, o uso da internet transformou Agha-Soltan de vítima desconhecida a um ícone do movimento de protestos iranianos.

Em certo momento, regimes autoritários conseguiam cobrir com um véu os eventos que aconteciam em seus países simplesmente impedindo os telefonemas de longa distância e restringindo alguns estrangeiros. Mas esta é a nova arena da censura no século 21, um mundo no qual câmeras de celulares, contas de Twitter e todas as armadilhas da World Wide Web mudaram o cálculo antigo sobre quanto poder os governos realmente terão que ter para esconder suas nações dos olhos do mundo e dificultar que seu próprio povo se reúna, se oponha e se rebele.

As fracassadas tentativas iranianas em entender esta nova realidade oferece um laboratório sobre o que pode ou não ser feito nesta nova era midiática (além de servir de lição para outros governos, que acompanham à distância com interesse, o que podem fazer caso seus próprios cidadãos saiam às ruas).

Uma lição precoce é que é mais fácil para as autoridades iranianas limitar imagens e informações dentro de seu próprio país do que impedir que elas se espalhem pelo resto do mundo. Ainda que o Irã tenha um acesso restrito à internet, uma rede de simpatizantes se formou para ajudar a manter os ativistas e cinegrafistas espontâneos conectados.

A onipresença da internet faz com que a censura seja "um trabalho muito mais complicado", disse John Palfrey, co-diretor do Centro de Internet e Sociedade de Harvard.

Por BRIAN STELTER e BRAD STONE

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