Avanço de Gingrich faz Romney mudar abordagem sobre sua religião

Na campanha de 2008, Romney raramente falava de sua fé mórmon, mas hoje a utiliza para reforçar os valores do partido republicano

The New York Times |

Mitt Romney - aquele do semblante inescrutável, excessivamente polido e, ocasionalmente, robótico - está se esforçando bravamente para humanizar-se apenas duas semanas antes do início das primárias que definirão o candidato republicano para as eleições presidenciais de 2012. E isso significa que nenhum tópico, seja a sua experiência com banheiros humildes ("uma questão de balde") ou sua fé, está realmente fora dos limites.

The New York Times
Ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, candidato à nomeação presidencial republicana, faz comício no Vale do Aço do Missouri em Sioux City, Iowa, em 16/12
Estilo: Cabeleireiro revela segredos do meticuloso penteado de Mitt Romney
Religião de Romney: Mórmons dos EUA apostam em publicidade para melhorar imagem

Há três anos, Romney raramente falava de sua fé mórmon durante sua campanha presidencial, mas, nos últimos dias, ele relembrou seu tempo como missionário e pastor de igreja quando convidado a explicar como, sendo um homem cujo patrimônio líquido é estimado em US$ 200 milhões, pode se relacionar com as preocupações cotidianas dos americanos comuns.

No debate republicano na noite do dia 10, cada candidato foi convidado a recordar quando uma tensão financeira os forçou a cortar gastos durante uma necessidade. Enquanto muitos dos candidatos falaram sobre suas infâncias humildes, Romney, filho de um governador, começou por reconhecer: "Não cresci pobre. E se alguém está à procura de alguém que tenha esse passado, não sou a pessoa."

Mas, continuou, as experiências que teve em sua igreja lhe possibilitaram a empatia e compreensão necessárias para com as pessoas menos afortunadas.

"Fui capaz de servir a minha igreja no exterior e de conhecer pessoas lá que tinham condições de vida muito difíceis", disse. "Também passei um tempo neste país servindo como pastor na minha igreja e, novamente, tive a oportunidade de trabalhar com pessoas realmente em dificuldades."

À medida que a disputa se acirra com Newt Gingrich recentemente subindo ao topo das pesquisas , Romney tenta se diferenciar do ex-presidente da Câmara, cujos três casamentos e uma tardia conversão ao catolicismo romano são vistos como prejuízos políticos pelo comitê de Romney.

Saiba mais: Romney se sairia melhor que Gingrich contra Obama, diz pesquisa

Mas falar mais abertamente sobre sua fé é um risco calculado. Uma pesquisa nacional New York Times / CBS News realizada em setembro descobriu que, entre os eleitores evangélicos republicanos na região das primárias, 41% disseram que não votariam em um mórmon para presidente. No entanto, em uma pesquisa mais recente, 75% dos evangélicos que disseram que definitiva ou provavelmente planejavam votar afirmaram que votariam em um candidato mórmon; 19% disseram que não.

Iowa e Carolina do Sul, dois dos três primeiros Estados no circuito de indicação, têm grandes populações evangélicas cuja maioria não aceita os mórmons como cristãos. (Em 2008, Romney terminou em um decepcionante segundo lugar em Iowa, depois que os evangélicos - que formam cerca de um terço dos eleitores republicanos da região - resolveram apoiar Mike Huckabee, um ex-pastor batista).

Há apenas dois meses, a religião de Romney foi exposta de uma forma indesejada quando um pastor Batista de Dallas, que apoia o governador Rick Perry do Texas disse a um grupo de cristãos conservadores que o mormonismo é "um culto" e "Mitt Romney não é cristão."

Isso levou Romney a exigir que Perry repudiasse as declarações do pastor. "Simplesmente não acredito que esse tipo de divisão com base na religião tenha lugar neste país", disse Romney na época.

Agora, no entanto, Romney parece abraçar sua fé de uma forma mais confortável e pública. Ele fala sobre isso em termos gerais, destacando seu papel como líder e servo em vez de entrar em especificidades da crença mórmon. Além disso, desde o debate do dia 10, Romney falou sobre a sua igreja três vezes em dois dias.

Em um evento em Madison na segunda-feira, um eleitor questionou se Romney poderia compreender verdadeiramente a pobreza, já que ele veio de "uma família abastada", e ele respondeu falando sobre os dez anos que passou como pastor em sua igreja, aconselhando seus membros.

Aqueles que o procuravam eram "às vezes pessoas com problemas conjugais, às vezes com uma criança problema, e muitas vezes pessoas que tinham dificuldades financeiras", disse Romney, acrescentando que supervisionou congregações de língua espanhola, cambojana e chinesa.

Um dia antes, em um encontro na cidade de Hudson, New Hampshire, quando um eleitor lhe pediu para compartilhar uma experiência que ajudou a mudar a sua perspectiva, ele imediatamente falou de seu tempo como um jovem missionário na França, vivendo com um salário mensal de US$ 110.

"Você não vive bem com isso", disse Romney, antes de contar como ele e seus companheiros missionários pagavam alguns francos para usar um chuveiro público uma vez por semana ou se enxaguavam na cozinha com um balde e uma mangueira.

"Muitos dos apartamentos nos quais eu morei quando estava lá não tinham banheiros", disse. "Tínhamos pequenos buracos no chão. Ok, você sabe como isso funciona. Havia uma corrente atrás de você, ele era uma espécie de balde."

O público riu com a resposta de Romney, que parecia querer enfrentar o problema central de sua campanha: esqueça ter uma cerveja com ele - o problema contra Romney é que as pessoas simplesmente não conseguem entendê-lo.

The New York Times
Ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, candidato à nomeação presidencial republicana, faz comício no Vale do Aço do Missouri em Sioux City, Iowa, em 16/12
"Em última análise, as pessoas votam em quem gostam, em quem conhecem e em quem apostam em termos de política e princípio, e acho que Romney pode conquistá-las fazendo todos os três", disse o representante Jason Chaffetz, que apoia Romney. "E para ser quem eles gostam e conhecem, é necessário abrir-se ainda mais sobre quem você é, sobre sua esposa e sua família."

A campanha de Romney foi rápida em dissipar a noção de que houve qualquer mudança estratégica em relação à sua religião. "Acho que isso talvez esteja acontecendo porque é Natal, ele está mais reflexivo?", sugeriu Stuart Stevens, estrategista sênior de Romney.

*Por Ashley Parker

    Leia tudo sobre: euaeleição nos euaromneymórmongingrichrepublicanos

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG