SIDNEY, Austrália - Se os estrangeiros tendem a associar a Austrália a cangurus, amplos chapéus de couro e uma certa casa de ópera, muitos australianos veem o país de forma diferente. Eles pensam em ferro e bauxita, cobre e carvão, níquel, ouro e urânio, uma ampla gama de riquezas minerais que pertence à nação e é o berço de sua prosperidade.

Isso explica a enorme ansiedade que tomou conta do país desde que os chineses anunciaram planos de comprar grande parte da produção nacional este ano.

Desde que três companhias estatais chinesas anunciaram que irão comprar ações do setor minerador australiano em um total de US$22 bilhões (quase o valor total do investimento chinês no país nos últimos três anos) algumas das 21.3 milhões de pessoas deste país reagiram com nacionalismo agravado.

O governo do primeiro-ministro Kevin Rudd, que geralmente favorece as vendas, foi acusado de ingenuamente se abrir para a China, uma visão compartilhada por muitos de seu próprio partido. A oposição atacou a imagem de um futuro no qual a Austrália seria mais ou menos uma enorme mina aberta na qual os locais trabalham, mas Pequim leva os lucros.

Mas poucos meses depois que os primeiros acordos foram anunciados, essa rejeição inicial deu lugar a um debate mais sútil sobre a posição da Austrália no Oriente, anômala mas segura por tanto tempo, ser prejudicada pelo crescimento rápido da China.

A Austrália sempre foi a presença ocidental no Oriente. Mas repentinamente, a China se tornou o maior parceiro comercial do país, um de seus principais clientes no setor turístico, o maior comprador da dívida governamental, além de terras e imóveis.

A fome chinesa por ferro engole mais da metade das exportações australianas do material, e suas fábricas de tecidos compram mais da metade da lã australiana. Mais de 120,000 estudantes chineses frequentam escolas e universidades australianas.

Agora a China começa a comprar bens australianos e, ainda que suas compras permaneçam pequenas em relação aos investimentos cumulativos americanos ou britânicos, estão crescendo rapidamente.

De repente, os australianos deram um passo atrás, percebendo que seu novo melhor amigo é alguém que não conhecem muito bem, tampouco confiam.

Companhias ocidentais, ainda que em certos momentos igualmente insaciáveis por recursos australianos, não fazem parte dos governos nacionais. O maior acionista em companhias de recursos chinesas, por outro lado, é o governo chinês.

A aposta chinesa por partes das mineradoras australianas (Fortescue Metals, Oz Minerals e Rio Tinto Ltd.) tem aguardado resposta australiana.



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