Aumento da tuberculose ligada a empréstimos do FMI

O rápido crescimento nos casos de tuberculose na Europa Oriental e ex-União Soviética está fortemente associado aos empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI), conforme foi descoberto por um novo estudo.

The New York Times |

Críticos do fundo sugeriram que seus requisitos financeiros levaram governos a reduzir gastos com a saúde pública buscando qualificação para empréstimos. Isso, segundo os autores, explica a conexão.

O fundo nega veemente a descoberta, dizendo que os antigos países comunistas estariam muito pior sem os empréstimos.

A tuberculose é uma doença que leva tempo para se desenvolver, diz William Murray, um porta-voz do fundo, então, presumivelmente, o aumento nas taxas de mortalidade devem estar ligados a algo que aconteceu anteriormente aos financiamentos do FMI. Isso é apenas ciência charlatã.

Os pesquisadores estudaram registros de saúde em 21 países e descobriram que, após obter um empréstimo do FMI, foi registrado aumentos de 13,9% nos novos casos de tuberculose a cada ano, 13,3% referente ao número de pessoas vivendo com a doença e 16,6% no número de mortes pela doença.

O estudo, publicado online na última terça-feira no periódico PLoS Medicine, avaliou estatisticamente muitos outros fatores que afetam as taxas de tuberculose, incluindo a incidência da AIDS, índices de inflação, urbanização, taxas de desemprego, idade da população e inspeção aprimorada.

O principal autor, David Stuckler, um pesquisador associado da Universidade de Cambridge, defende o estudo contra as críticas do fundo, apontando que os pesquisadores chegaram a considerar se o aumento da mortalidade poderia ter gerado mais empréstimos e não o contrário.

Ao invés disso, descobriram que o aumento no número de mortes acompanhou o crescimento do financiamento; cada 1% de aumento de crédito estava associado com um aumento de 0,9% na mortalidade. E quando um país deixava um programa de empréstimos do FMI, as taxas de mortalidade caíam em média de 31%.

Quando se tem uma correlação, você fica de orelha em pé, diz Stuckler. Mas quando são mais de 20 correlações apontando na mesma direção, você começa a construir um forte caso de casualidade.

Por NICHOLAS BAKALAR

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