Aumento da influência islâmica impõe perguntas difíceis à Líbia

Rebeldes líbios depuseram um ditador que reprimiu islamitas de linha dura, mas há sinais inquietantes sobre qual governo o substituirá

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O líder islâmico Ali Sallabi durante entrevista em Trípoli, Líbia, em 1º de setembro de 2011
Na emergente Líbia pós-Kadafi, o político mais influente no país pode muito bem ser Sallabi Ali, que não tem título formal, mas impõe respeito como um grande estudioso islâmico e orador populista que foi fundamental nos levantes em massa.

O mais poderoso líder militar é agora Abdel Hakim Belhaj, ex-líder de um grupo linha dura que já se acreditou ser alinhado à Al-Qaeda. A crescente influência dos islâmicos na Líbia levanta questões difíceis sobre o caráter final do governo e da sociedade que substituirá a autocracia de Muamar Kadafi.

Os EUA e os novos líderes da Líbia dizem que os islâmicos, um grupo bem organizado em um país em sua maioria moderado, dão sinais de dedicação ao pluralismo democrático. Eles dizem que não há nenhuma razão para duvidar da sinceridade dos islâmicos.

Mas, como no Egito e na Tunísia , a mais recente revolta da Primavera Árabe depôs um ditador que havia reprimido os islâmicos com rigor, e há alguns sinais preocupantes sobre que tipo de governo terá o poder.

Está longe de ser definido onde esse movimento da Líbia dará, em um espectro de possibilidades que vai desde o modelo turco do pluralismo democrático até a confusão do Egito, passando, na pior das hipóteses, pela teocracia xiita do Irã ou modelos sunitas como o Taleban ou mesmo a Al-Qaeda.

Em uma entrevista, Sallabi deixou claro que ele e seus seguidores querem construir um partido político baseado nos princípios islâmicos e chegar ao poder por meio de eleições democráticas. Mas, se o partido não conseguir conquistar o apoio generalizado, disse, que assim seja.

Durante os 42 anos de governo de Kadafi, organizações clandestinas, como o Grupo Belhaj de Combate Islâmico e a Irmandade Muçulmana formavam a única oposição. Apesar de proibidos e perseguidos,  tinham uma rede formada pelas mesquitas que seus adversários seculares do governo não tinham como conquistar.

Isso também lhes deu uma vantagem inicial na organização política agora, e parecem não perder tempo. "Haverá tentativas de alguns partidos em assumir o poder – isso é natural", disse um oficial do governo do Conselho Nacional de Transição (órgão político dos rebeldes líbios), que falou anonimamente, para não alienar os islâmicos. "E nós estamos ouvindo muito mais do islâmicos na mídia porque eles são mais organizados e articulados."

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Residentes se reúnem para celebrar fim do Ramadã (mês sagrado dos muçulmanos) em Trípoli, Líbia, em 31 de agosto de 2011
*Por Rod Nordland e David D. Kirkpatrick

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