Aumenta pressão sobre armazenamento de combustível nuclear nos EUA

Acidente nuclear no Japão chamou atenção para vulnerabilidade de piscinas de armazenamento em usinas americanas

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A calamidade nuclear na usina japonesa Fukushima Daiichi voltou a chamar atenção para a vulnerabilidade das piscinas de armazenamento de combustível nuclear usado nas 104 usinas em operação nos Estados Unidos, como a usina LaSalle.

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Piscina com combustível radiativo da usina LaSalle, em Illinois
As piscinas são geralmente muito mais cheias do que aquelas que foram danificadas em Fukushima. Alguns cientistas argumentam que a superlotação aumenta o risco de um incêndio e faz das piscinas um alvo tentador para terroristas.

Diversos membros do Congresso aumentaram a pressão para que o combustível seja retirado das piscinas e armazenado em tonéis secos mais rapidamente. "Não devemos esperar por uma crise americana para reforçar as medidas de segurança nuclear do país", disse o deputado Edward J. Markey, democrata de Massachusetts. "Devemos prestar atenção às lições que podem e devem ser aprendidas com a crise nuclear do Japão e garantir a nossa segurança nuclear”.

Mas a transferência do combustível para tonéis secos envolve seus próprios riscos, dizem alguns especialistas da indústria. "É uma discussão muito complexa", disse Neil Wilmshurst, especialista em energia nuclear e vice-presidente do Instituto de Pesquisa de Energia Elétrica, um consórcio sem fins lucrativos. "Toda vez que você move combustível radioativo, há sempre um risco de erro humano. Quanto disso você quer arriscar se não precisa fazê-lo?"

Debate

A discussão se desenrola em meio a um debate muito mais amplo e mais polarizador sobre a eliminação dos resíduos nucleares. Meio século depois do nascimento da indústria nuclear americana, o país ainda carece de um repositório dedicado a esses resíduos por causa de manobra políticas pelos governos locais que não querem os resíduos em seus “quintais”. Alguns engenheiros nucleares argumentam que seria muito arriscado deixar o combustível nas piscinas lotadas.

Observando que as operadoras nucleares converteram as piscinas ao longo dos anos para fazer caber mais combustível, um estudo de 2003 encomendado em resposta aos ataques do 11 de Setembro sugeriu que as novas configurações aumentaram o risco de incêndio. Essa pesquisa levou o Congresso a pedir à Academia Nacional de Ciências que estude a segurança das piscinas.

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Tonéis secos com material radioativo da usina LaSalle
Em 2005, a academia informou que os terroristas poderiam plausivelmente montar um ataque bem-sucedido às piscinas e recomendou que os reguladores federais avaliem se o combustível deve ser transferido para tonéis secos.

Robert Alvarez, ex-conselheiro sênior da secretaria de energia e especialista em energia nuclear, ressaltou que, ao contrário das piscinas de combustível, os tonéis secos sobreviveram ilesos ao tsunami em Fukushima. "Eles não recebem muita atenção, porque não falham", disse ele.

*Por Matthew L. Wald

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