Ativistas idosos de ilha japonesa resistem a usina nuclear

Terremoto de 11 de março deu nova força aos residentes de Iwaishima para impedir avanços de novas construções

The NewYork Times |

Quando os barcos chegaram há quase dois anos para começar a trabalhar na construção de uma usina de energia nuclear planejada para a costa da ilha de Iwaishima, no Japão, uma pescadora idosa chamada Tamiko Takebayashi protestou se amarrando às docas.

Embora a medida tenha sido bastante incomum no país, ela foi emblemática para os ilhéus e sua luta contra o seu próprio governo e a indústria nuclear que tem defendido.

NYT
Kazuo Isobe trabalhava na usina de Fukushima antes do desastre de 11 de março e se opõe à construção de uma outra, próximo à sua antiga casa, em Iwaishima

A cidade de Kaminoseki – formada por Iwaishima, duas ilhotas e a península Murotsu, localizada na ilha principal do Japão, Honshu – foi um dos muitos locais que pareciam maduros para a revitalização prometida pela indústria nuclear.

Sem indústrias além da agricultura de pequena escala e a pesca, a cidade se esforçava para acompanhar as mudanças rápidas do Japão no pós-guerra.

Assim, em 1982, quando a Chugoku Electric Power Co. levantou pela primeira vez a ideia de construir uma usina nuclear na ponta da península deserta de Murotsu, muitos moradores ficaram entusiasmados.

Mas Iwaishima, uma ilha com cerca de 1.000 habitantes a apenas 4 km do local planejado para a construção da usina, não foi convencida. A cooperativa de pesca da ilha votou esmagadoramente contra o projeto. Os moradores de Iwaishima dependem demais do mar para arriscar a radiação.

Muitos dos homens da ilha partiram ao longo do tempo para trabalhar em outros lugares. Alguns deles trabalhavam em usinas nucleares e voltavam para casa com histórias preocupantes. Eles se tornariam parte da linha de frente na luta da ilha contra a usina.

Ainda assim, a cidade maior de Kaminoseki permaneceu defensora do projeto, e, devido ao seu apoio, a cidade recebeu bilhões de ienes de subsídios do governo e da operadora da usina, de acordo com registros da cidade e a imprensa local.

Em 2008, a Prefeitura de Yamaguchi, que controla alguns aspectos da construção da usina, deu permissão a Chugoku Electric para o início dos trabalhos de construção.

Mas, em 11 de março, um catastrófico terremoto seguido de tsunami destruiu as defesas da usina Daiichi Fukushima, dando início a um dos piores desastres nucleares do mundo.

No mês passado, o governador da Prefeitura de Yamaguchi disse que não iria renovar a licença que permite que a Chugoku Electric execute trabalhos de construção. Até o prefeito de Kaminoseki Shigemi Kashiwabara, um defensor da usina planejada, sugeriu que a construção feita até o momento poderá ser demolida.

No mês passado, o novo presidente da Chugoku Electric disse aos seus funcionários que a empresa iria avançar com planos de construção da usina nuclear. Os líderes da empresa também asseguraram aos políticos locais que ela seria equipada com a mais recente tecnologia à prova de terremotos.

Mas a empresa agora enfrenta adversários encorajados pela tragédia de Fukushima.

"Nós vamos pará-los completamente", disse Sadao Yamato, líder do movimento de protesto de Iwaishima em um comício recente. "Essa é a melhor chance que tivemos em três décadas."

* Por Hiroko Tabuchi

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