Ativistas encontram portas abertas na Síria

Conquista de espaço, no entanto, é incompleta e encontra resistência por parte de governos do Oriente Médio

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Durante cinco anos, as tentativas de Chavia Ali para abrir um grupo de defesa dos direitos de deficientes foram frustradas – por preconceito, falta de dinheiro e pela relação do governo sírio com a vida cívica.

O governo lhe deu uma licença, mas impediu que o grupo se reunisse no que Chavia acreditava ser uma campanha contra ela, um curda cada vez mais conhecida. Então, tudo mudou.

No ano passado, disseram a Chavia que um terço de seu orçamento seria pago por um grupo liderado por Asma al-Assad, a esposa do presidente sírio, Bashar al-Assad. Agora Chavia está em toda parte, em entrevistas na TV, em conferências do ministério e em fotos ao lado da primeira-dama.

A mudança na sorte de seu grupo faz parte de uma abertura que oficiais do governo têm descrito como um abraço à sociedade civil.

Mas o abraço não é tão simples. Ainda que as portas tenham se aberto para algumas pessoas, como Ali, elas se fecham com frequência cada vez maior para ativistas que pedem maiores direitos políticos, segundo advogados de direitos humanos do país.

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Chavia Ali é cadeirante desde pequena, quando contraiu poliomelite
Embora alguns defensores dos direitos humanos agradeçam qualquer abertura, não importa quão pequena, outros dizem que ela abrange apenas os grupos que não representam desafio à ordem estabelecida.

“A sociedade civil significa que pessoas livres criam iniciativas livres”, disse um ativista sírio, um dos muitos que pediu anonimato por medo de represálias do governo. “Como pessoas que não são livres podem fazer isso?”

Dilema

Chavia é um exemplo do dilema. Seu primo foi preso neste verão pelos serviços de segurança durante uma de suas batidas em aldeias curdas, mas ela se recusa a falar sobre o que aconteceu.

É um dilema enfrentado pelos ativistas em todo o Oriente Médio. Nos becos estreitos da vida cívica permitida por governos autoritários na região, existem possibilidades desde que sejam observados certos limites. Embora os grupos de ajuda externa, muitas vezes saúdem o crescimento explosivo de grupos destinados a ajudar as pessoas marginalizadas, existem dúvidas sobre esses grupos produzirem qualquer mudança real.

Enquanto o mundo assiste à Síria emergir de anos de isolamento internacional, os sírios estão assistindo o governo fazer uso de seu pulso cada vez mais firme.

“Estamos vendo mudanças”, afirmou Bassam Haddad, diretor do programa de estudos do Oriente Médio na Universidade George Mason. “O número de grupos é cada vez maior. O número de preocupações que têm permissão para se tornar públicas também é crescente. O processo inteiro é abençoado pelo governo. As intenções são boas, mas embutidas de limitações estruturais”.

*Por Kareem Fahim

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