Ativistas desaparecem sob aumento da repressão da China

De olho nas revoltas do mundo árabe, Estado chinês aperta o cerco contra defensores de direitos humanos e jornalistas estrangeiros

The New York Times |

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"Desaparecimento" de Teng Biao é criticado por diversos países e organismos ativistas internacionais

Teng Biao já conhecia a ira das autoridades chinesas. Um dos poucos advogados que defendem os direitos humanos e o Estado de direito na China, ele já foi preso várias vezes, espancado e ameaçado de morte.

Mas essa última prisão – ele foi detido por agentes de segurança de Pequim em fevereiro e está incomunicável – gerou uma nova espécie de ansiedade em sua esposa e amigos.

Teng é um dos muitos defensores dos direitos humanos proeminentes que desapareceram e estão presos, alguns deles sem autorização legal, no que os críticos dizem ser uma das mais duras repressões por parte do governo em muitos anos.

Familiares e amigos dos presos dizem que os períodos de confinamento anteriores não duraram tanto tempo e tampouco foram tão silenciosos. A operação é parte de um amplo esforço para impor estabilidade social, que se tornou mais intenso nas últimas semanas.

Esse é um momento especialmente desconfortável na China, com convocações anônimas por uma Revolução Jasmim semelhante às revoltas que tomaram conta do Oriente Médio e Norte da África aparecendo em alguns sites de língua chinesa.

Isso coincidiu com a reunião anual do Congresso Nacional do Povo e uma legislatura consultiva em Pequim. Agentes de segurança também apertaram o cerco contra jornalistas estrangeiros de maneira mais rígida da qual se tem memória.

Os Estados Unidos adotaram um tom mais rígido com a China no início de março, criticando o país pela onda de detenções.

"Os EUA estão cada vez mais preocupados com as prisões extrajudiciais e supostos desaparecimentos de alguns dos advogados e ativistas mais conhecidos da China, muitos dos quais estão desaparecidos desde meados de fevereiro", disse Philip J. Crowley, porta-voz do Departamento de Estado. "Nós expressamos nossas preocupações ao governo chinês sobre o uso de castigos extrajudiciais contra estes e outros ativistas dos direitos humanos. Continuamos a instar a China a respeitar as suas obrigações reconhecendo internacionalmente os direitos humanos universais, incluindo a liberdade de expressão, associação e reunião", disse ele.

As autoridades chinesas têm evitado as perguntas sobre as prisões e prisioneiros específicos. A edição internacional do People's Daily, o jornal porta-voz do Partido Comunista, disse em um editorial sobre a China e os levantes no Oriente Médio e Norte da África: "Algumas pessoas com segundas intenções, tanto dentro quanto fora da China, estão conspirando para levar esses problemas à China. Eles usaram a internet para atiçar as chamas, esperando agitar a política de rua na China e assim semear o caos no país”.

*Por Edward Wong

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