Ativistas buscam manter posição moderada de Israel sobre o Irã

Grupo JStreet quer se distanciar de comitê israelo-americano e mostrar que nem todos os judeus apóiam uma ofensiva militar contra o regime persa

The New York Times |

Os membros do JStreet, o grupo pacifista pró-Israel formado quatro anos atrás, em parte como uma alternativa ao Comitê de Assuntos Públicos Estados Unidos-Israel (Aipac, na sigla em inglês), fizeram questão de fazer essa observação enquanto se dirigiam para o Capitólio como parte de um esforço para convencer os legisladores que apoiar Israel não quer dizer que exista uma necessidade de concordar com tudo que o conservador primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu , diz.

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"Há um mito de que o voto judeu é um voto monolítico em favor de uma posição militarista a favor de Israel", disse Elaine Tyler May, professora da Universidade de Minnesota, que veio a Washington para participar da conferência anual do JStreet e se reuniu com o deputado Keith Ellison e a senadora Amy Klobuchar, ambos democratas de Minnesota.

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Adi Cohen, Hannah Duncan e Sherry Lifton, do grupo J.Street, esperam para conversar com membros do Congresso dos EUA sobre alternativas de pressão contra o Irã
Em vez disso, May disse que, "a grande maioria dos judeus americanos acredita que os Estados Unidos devem assumir um papel de liderança em um acordo de paz, mesmo que isso signifique discordar da liderança israelense."

Cerca de 700 membros do JStreet compareceram a um encontro com 225 representantes do Congresso de ambos os partidos ou membros de suas equipes. Mas tanto em número quanto em influência política, a conferência do JStreet não se comparou à conferência anual da Aipac, realizada três semanas atrás.

Enquanto 2,5 mil pessoas participaram do evento do JStreet nesta semana, um público recorde de 13 mil pessoas compareceram à conferência da Aipac.

Os conferencistas do JStreet se misturaram com alguns oficiais do governo de Obama, incluindo Valerie Jarrett, uma conselheira sênior da Casa Branca, e Antony J. Blinken, conselheiro de segurança nacional do vice-presidente Joe Biden, e o ex-premier israelense Ehud Olmert.

Contraste

Em contraste, a multidão da Aipac pode presenciar um discurso feito pelo presidente americano, Barack Obama; Netanyahu ; o líder republicano na Câmara Eric Cantor, da Virgínia; o líder republicano no Senado Mitch McConnell, do Kentucky; e três candidatos presidenciais republicanos. Os líderes da conferência da Aipac agendaram um recorde de 530 encontros com legisladores ao longo de quatro horas, e neles os delegados procuraram tocar nos principais assuntos imporantes para eles, o maior sendo os possíveis perigos da ambição nuclear iraniana.

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Mas os líderes do JStreet pareciam determinados a agregar sua própria voz ao debate. "Existe mais do que uma maneira de sermos bons judeus", disse o escrito israelense Amos Oz à multidão na abertura da conferência. "Precisamos nos unir, mas porque deveríamos nos unir de acordo com a força militante extremista da Aipac?"

Stav Shaffir, líder do movimento de protesto que tem sido chamado de Primavera Israelense, atacou Netanyahu, que durante seu discurso na conferência da Aipac comparou o Irã à Alemanha nazista. Também criticou sua viagem a Washington para tentar buscar apoio para uma postura mais dura contra o Irã a um apelo feito pela comunidade judaica dos Estados Unidos ao presidente Franklin D. Roosevelt para bombardear Auschwitz durante a Segunda Guerra Mundial.

Roosevelt negou o pedido, Netanyahu lembrou a todos presentes na conferência da Aipac e justificou a sua decisão com argumentos que Netanyahu disse serem semelhantes aos argumentos utilizados hoje por pessoas que se opõem a um ataque militar contra o Irã. "Nenhum de nós pode se dar ao luxo de esperar muito mais tempo", disse Netanyahu.

Shaffir discordou. "Um mês atrás, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu veio a Washington e de uma maneira vergonhosa comparou as nossas vidas com as vidas dos nossos avós, pessoas que viviam em guetos, como se estivéssemos condenados a viver sob uma ameaça permanente, intratável, como se Israel fosse a encarnação moderna do gueto", disse. "Nós não queremos isso", acrescentou

Com os líderes israelenses alertando a todos sobre uma possível ameaça do Irã e discutindo abertamente a possibilidade de atacar suas instalações nucleares, o grupo JStreet tentou rapidamente impressionar os membros do Congresso com o seu argumento de que os grupos mais radicais como o Aipac e o Comitê de Emergência de Israel, que querem ações mais duras contra o Irã, não falam por todos os judeus. As divisões do governo israelense, aparentemente, também são percebidas dentro da comunidade judaica americana.

Brad Pilcher, diretor de comunicações de uma sinagoga em Atlanta, foi à convenção do JStreet e se reuniu com o deputado John Lewis e com os membros da equipe dos gabinetes de dois senadores republicanos do Estado da Geórgia, Johnny Isakson e Saxby Chambliss.

"Nós temos 180 mil adeptos em todo o país - este não é um movimento marginal", disse Pilcher em uma entrevista. Ele reconheceu que o JStreet às vezes pode parecer ofuscado pela Aipac mas que isso não impediria que o grupo fosse até o Congresso para continuar lutando.

"A Aipac pode até ter uma vantagem por ser o primeiro grupo na fila, mas nós não competir contra eles", disse Pilcher. "Temos o apoio da maioria do povo judeu americano.”

*Por Helene Cooper

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