Atento ao Egito, Israel assume papel pouco familiar de espectador

Governo israelense observa com preocupação desdobramentos de protestos contra presidente egípcio, Hosni Mubarak, aliado na região

The New York Times |

Depois da revolução na Tunísia e da emergência de um governo apoiado pelo Hezbollah no Líbano, os israelenses estão enfrentando um outro abalo no seu sistema, conforme grandes protestos tomam as ruas do Egito, o parceiro mais antigo e mais importante do país no Oriente Médio.

Embora as revoltas recentes não tenham sido a respeito de Israel, elas podem ter um grande impacto sobre o seu futuro. Mesmo assim, Israel, um país acostumado a se envolver nas principais questões políticas da região, encontra-se agora em um papel menos familiar, o de espectador.

"Quando dizemos que estamos acompanhado os acontecimentos de perto, é verdade", disse um oficial israelense, “Não há muito mais que possamos fazer".

Israel tem um interesse especial na estabilidade do Egito. Os dois países compartilham uma extensa fronteira e assinaram um tratado de paz histórico em 1979, pedra fundamental do equilíbrio regional que já dura mais de 30 anos.

Embora a paz, a primeira a ser celebrada entre Israel e um país árabe, tenha permanecido – ainda que a sociedade civil egípcia boicote o país vizinho – o relacionamento é visto aqui como em um momento crítico. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, conversa regularmente com o presidente do Egito, Hosni Mubarak.

"O Egito não é apenas nosso melhor amigo na região", disse Binyamin Ben-Eliezer, um político veterano israelense e antigo ministro da Defesa conhecido por seus laços estreitos com oficiais egípcios de alto escalão. "A cooperação entre nós vai além de questões estratégicas", explicou.

Estabilidade

Autoridades e analistas israelenses disseram acreditar que o governo de Mubarak é suficientemente forte para resistir aos protestos, pelo menos enquanto contar com o apoio do Exército egípcio.

Mas com Mubarak, que chegou ao poder em 1981 e agora é um octogenário enfermo, os israelenses esperam por algum tipo de transição no Egito, em meio a uma sensação de deslocamento do equilíbrio regional.

Os israelenses falam de dois arcos na região – um no norte, inclinado ao Irã e que inclui o país persa, a Síria e agora o Líbano, e um mais moderado ao sul, que abrange o Norte da África, Egito, Israel, Autoridade Nacional Palestina, Jordânia e países do Golfo Pérsico.

"Nós vemos o arco do norte crescer em força e o arco sul viver um período muito volátil", disse Oded Eran, diretor do Instituto de Estudos de Segurança Nacional na Universidade de Tel Aviv e ex-embaixador de Israel na Jordânia. "Ainda que todos nós devemos parabenizar as forças que pedem mais democracia, se esse for o caso, por enquanto o efeito é desestabilizador", disse, ao acrescentar que a oposição no Egito inclui fundamentalistas islâmicos.

Os israelenses ainda não preveem um futuro sem o tratado de paz com o Egito. Eran disse que quase qualquer governo no Egito gostaria de manter o pacto, mesmo que com um perfil mais discreto, porque muita coisa é articulada sobre ele, incluindo as relações do país com os Estados Unidos.

Pelo menos no curto prazo, os israelenses não veem necessidade para pânico. Mas, ao mesmo tempo, os oficiais aqui parecem cautelosos em fazer previsões a longo prazo. Depois que Mubarak deixar o palco, um deles disse, "não temos ideia do que vai acontecer".

*Por Isabel Kershner

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