Ataques de Obama revelam crença de que Romney será candidato republicano

Após vitória de ex-governador de Massachusetts na primária da Flórida, presidente dos EUA intensifica críticas indiretas

The New York Times |

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o pré-candidato republicano à presidência Mitt Romney trocaram farpas na última semana a respeito de questões econômicas, como a estratégia para ajudar os proprietários de imóveis e criar empregos para trabalhadores qualificados. Os dois pareciam estar se preparando para uma grande disputa eleitoral após a vitória decisiva de Romney na Flórida .

O ataque de Obama foi sutil e veio na forma de uma proposta da Casa Branca para ajudar os proprietários a refinanciar suas hipotecas, algo que ele disse que pode ser uma alternativa para aqueles que afirmam que o mercado imobiliário deve primeiro sucumbir antes que possa se recuperar. Romney fez este comentário no ano passado em Nevada.

Saiba mais: Tudo sobre as eleições nos EUA

NYT
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, discursa em Falls Church, na Virgínia (01/02)

Romney rebateu pouco depois, acusando o presidente de estar "fora da realidade" pela maneira com que respondeu a pergunta de uma mulher cujo marido estava desempregado ("me envie o currículo dele", disse o líder). Na noite de terça-feira, depois de ter saído vencedor das primárias da Flórida, Romney usou seu discurso para atacar a liderança de Obama.

Embora os republicanos ainda não tenham escolhido seu candidato, a vitória de Romney reforçou a crença dos assessores de Obama de que ele será o escolhido para ser seu adversário. Além disso, o presidente - embora diga estar mais preocupado em governar e não com a campanha, e raramente mencione Romney pelo nome - usou discursos recentes para falar sistematicamente contra as posições adotadas pelo ex-governador de Massachusetts.

Para Obama, o objetivo é ressaltar, o mais cedo possível e de forma vantajosa, a escolha que precisará ser feita entre ele e seu provável rival. Para Romney, é focar no presidente, invés de partir para disputas intrapartidárias contra Newt Gingrich e outros rivais republicanos, embora ele tenha atacado Gingrich recentemente.

A introdução de um pacote de propostas para moradia deu a Obama a oportunidade de falar sobre justiça econômica para a classe média - e ressaltar outro ponto contrastante entre ele e Romney. Até mesmo proprietários de imóveis responsáveis, explicou o presidente, foram vítimas dos bancos e das financiadoras.

"É errado sugerir que a única opção para os proprietários responsáveis que estão enfrentando dificuldades seja sentar e esperar que o mercado imobiliário piore", disse ele em um centro comunitário, claramente referindo-se a Romney. "Me recuso a aceitar isso e acredito que o povo americano também.”

O preço dos imóveis neste subúrbio de Washington caiu para quase um quarto de seu valor, disse o presidente. Mais da metade dos proprietários de imóveis de Las Vegas estão submersos e dívidas de hipoteca, o que significa que eles devem mais do que sua casa realmente vale. A referência de Obama sobre Las Vegas não parecia acidental: Romney fez seus comentários sobre o mercado imobiliário em queda para um jornal de Las Vegas.

Jared Bernstein, um ex-conselheiro econômico do vice-presidente Joe Biden, afirmou: "Romney demonstra um pensamento bem conservador em relação à moradia, que é de 'liquidar, liquidar, liquidar'". A ideia de o governo intervir no financiamento dos imóveis é um anátema para eles, dada a sua ideologia".

Bernstein disse que essa relutância poderia até ser compreensível, caso os bancos e outras instituições estivessem fornecendo crédito suficiente para revitalizar o mercado. A proposta de moradia de Obama, que precisaria da aprovação de novas leis pelo Congresso, visa facilitar o refinanciamento de hipotecas.

Em um comício em Minnesota, Romney acusou o presidente de não querer assumir a responsabilidade por uma economia que não entende. Ele também zombou dele como alguém que não conseguia entender as preocupações dos americanos.

"Ele está tão fora da realidade assim?", perguntou Romney, notando que o presidente pareceu surpreso durante uma discussão online quando uma mulher disse que seu marido, um engenheiro desempregado, estava tendo dificuldades para encontrar trabalho. "Será que ele não entende o que está acontecendo nos Estados Unidos?"

A retórica de Romney começou momentos depois que ele conquistou a vitória na Flórida, prometendo que "a minha liderança vai acabar com a era Obama e começar uma nova era de prosperidade americana."

Na manhã de quarta-feira, sua equipe revelou parte de sua estratégia eleitoral, expondo um memorando de 2008 no qual Hillary Rodham Clinton reclamava que a campanha de Obama tinha "apelado para um ataque de caráter injusto" a seu respeito, usando uma linguagem que era "falsa e degradante."

Mesmo que não mencione Romney, o presidente não perde a oportunidade de atacá-lo. Em sua visita ao Salão do Automóvel de Washington, Obama inspecionou os novos veículos híbridos da Ford, Dodge e General Motors e lembrou as pessoas de quando o governo socorreu duas das três grandes montadoras.

"É bom lembrar o fato de que haviam algumas pessoas que estavam dispostas a deixar este setor morrer", disse ele. "Mas foi graças a união das pessoas que agora estamos de volta em uma posição na qual podemos competir com qualquer empresa de automóvel no mundo."

E quem foi que afirmou que o governo deveria deixar a indústria de automóveis falir? Mitt Romney.

Por Mark Landler e Michael D. Shear

    Leia tudo sobre: eleição nos euaromneyobamaeuarepublicanos

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG