Ataques de Israel foram programados para receber apoio de Bush, dizem especialistas

Durante nove dias, enquanto oficiais europeus e da ONU pediam um cessar-fogo urgente em Gaza, a gestão Bush culpou atentados do grupo militante palestino Hamas pelos ataques de Israel, mantendo até o final seus oito anos de apoio ao país.

The New York Times |

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Bush em seu programa semanal de rádio no sábado afirmou que os Estados Unidos não querem um "cessar-fogo unilateral" que permita que o Hamas mantenha seus disparos de mísseis.

Muitos especialistas no Oriente Médio dizem que Israel programou sua movimentação contra o Hamas, que começou com ataques aéreos no dia 27 de dezembro, 24 dias antes de Bush deixar o cargo, com expectativa de tal apoio de Washington. Oficiais israelenses não tinham certeza se o presidente eleito Barack Obama, apesar de declarações anteriores de simpatia pelo direito de defesa de Israel, daria ao país o mesmo apoio incondicional da gestão Bush.

"Apesar das declarações de Obama e de seus conselheiros, que são a favor de Israel, os israelenses realmente não sabiam como ele iria reagir", disse Sami G. Hajjar, estudioso veterano de política para o Oriente Médio e professor da Universidade de Defesa Nacional. "Seu primeiro instinto é pela diplomacia, e não pela ação militar".

AP
Tanque israelense bombardeia sul da Faixa de Gaza

Hajjar disse que além de depender do apoio de Bush, os oficiais israelenses podem não ter desejado dar início a seu relacionamento com o novo presidente forçando-o a responder a sua ação militar.

Obama desapontou muitos analistas do mundo muçulmano ao se recusar a condenar a operação em Gaza e manteve silêncio durante o final de semana enquanto Israel deu início a uma invasão terrestre.

"O presidente eleito Obama tem acompanhado de perto os eventos mundiais, inclusive a situação em Gaza, mas há apenas um presidente por vez", disse Brooke Anderson, porta-voz de segurança nacional da equipe de transição, repetindo o que se tornou um lema da próxima gestão.

A posição de Obama foi interpretada pelo porta-voz do Hamas e outros como uma tácita aprovação das ações de Israel e da política da gestão Bush.

A disputa entre tropas israelenses e do Hamas acontece como uma desastrosa conclusão das iniciativas de paz no Oriente Médio promovidas pela segunda gestão de Bush. Para Obama, que foi para Washington no domingo encontrar sua família, acrescenta uma nova crise a uma agenda já repleta de desafios, começando com a economia.

Por SCOTT SHANE


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