Ataques aéreos perdem praticidade à medida que guerra passa para Trípoli

Fundamentais para o avanço rebelde até a capital da Líbia, aviões aliados passarão a ter alvos na periferia da cidade, onde risco de mortes civis é menor

The New York Times |

A campanha de ataques aéreos da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) que foi fundamental para ajudar o avanço rebelde em Trípoli foi paralisada agora que a luta se transformou em uma complexa guerrilha urbana, afirmaram militares americanos e oficiais aliados na terça-feira.

Por razões legais e práticas, bem como para evitar a percepção de que estão bombardeando indiscriminadamente a capital líbia, os aviões aliados continuarão a ter como objetivo alvos localizados principalmente na periferia da cidade, onde tropas do governo podem ou estar tentando fugir ou buscando reforçar posições em Tripoli, e também onde o risco de mortes entre civis é muito menor, disseram as autoridades aliadas.

NYT
Homem passa por telhado destruído por ataque aéreo da Otan em Zlitan, na Líbia (25/7)
O coronel Roland Lavoie, porta-voz da Otan, disse em uma entrevista coletiva em Nápoles, na terça-feira, que "ainda há armas lá fora e ainda há alvos que poderíamos atingir se percebemos que eles podem representar uma ameaça à população civil".Mas ele e outros funcionários da Otan reconheceram que o ambiente urbano em Trípoli, uma cidade de cerca de 2 milhões de pessoas, era "muito mais complexo" para os ataques aéreos do que alvos anteriores.

Até agora, a maioria dos alvos atacados em TrÍpoli foram locais suspeitos de ser sede do comando militar ou edifícios de armazenamento de armas que a Otan acompanhou de perto por dias ou semanas com aeronaves de vigilância, incluindo aviões Predator, para ter certeza de que civis não vivem ou trabalham no local. 

Especialistas em alvos e pilotos de caça não têm essa opção com as linhas de batalha mudando rapidamente quarteirão por quarteirão da capital e com combatentes de ambos os lados em trajes civis.

"Pode ser difícil, porque o uso do poder aéreo é em grande parte negado quando você entra neste tipo de guerrilha urbana", afirmou o senador John McCain no "The Early Show" na emissora CBS. "É difícil identificar alvos e é difícil ser eficaz. Mas eu não penso que haja qualquer dúvida sobre o resultado final."

Essa não é a primeira vez que os Estados Unidos ou a Otan tem lidado com o desafio de erradicar inimigos em ambientes urbanos. As tropas americanas, principalmente, aprenderam muitas lições sobre isso em seu combate à insurgência em Bagdá, no Iraque.

Como os Estados Unidos e a Otan não têm grandes Exércitos alocados na Líbia, os aliados passaram essas lições para a combatentes rebeldes. Aplicá-las, eles pensam, permitirá que os rebeldes que dependiam de um forte apoio aéreo da Otan expulsem os partidários de Muamar Kadafi de Trípoli completamente.

*Por Eric Schmitt e Elisabeth Bumiiller

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