Assim como candidatos, analistas políticos mostram diversidade

As longas campanhas presidenciais, que ficarão na história, dos senadores Barack Obama e Hillary Clinton como nunca têm injetado questões como raça e sexo na política norte-americana. Com o palco das campanhas nos canais de televisão, produtores e críticos estão novamente avaliando a diversidade entre os analistas, que falam (e falam) sobre assuntos relacionados ao pastor de Obama, voto latino, conflito no Iraque e à economia.

The New York Times |

    Ambas as redes de televisão MSNBC e CNN deram um novo papel para uma série de comentaristas com perspectivas variadas: negros, latinos e mulheres. Alguns especialistas da mídia afirmam que a grande questão é saber se esses sinais sinalizam algum progresso verdadeiro quanto à diversificação da autocracia dos analistas políticos, ou se simplesmente refletem a necessidade de um ciclo particular de notícias. As posições de alto grau na televisão são, na maioria das vezes, dos brancos e dos homens, e alguns críticos notam ainda como essa falta de inclusão pode afetar um ano eleitoral.

    Seja lá qual for o progresso gerado em relação aos colaboradores e comentaristas ultimamente, as redes de televisão ainda têm um longo caminho para representar de fato a população norte-americana, disse Karl Frisch, porta-voz de um grupo liberal que fiscaliza a televisão. Ele acrescentou que homens brancos são geralmente os âncoras de quase todos os programas da manhã e da noite, exceto o programa da recém-chegada Katie Couric.

    Mas os ganhos extras devem ser levados em consideração, mesmo que mais mudanças ainda sejam necessárias, disse Pámela Newkirk, professora de jornalismo da Universidade de Nova York e autora do livro "Within the Veil: Black Journalists, White Media" (New York University Press, 2000).

    Ela cita comentaristas negros da CNN com menos de 40 anos, como o jornalista e apresentador de rádio, Roland S. Martin; Amy Holmes, estrategista conservadora e ex-redatora do republicano Bill Frist; e Jamal Simmons, estrategista democrata, apoiador de Obama e porta-voz de imprensa veterano com experiência internacional. Eles trazem uma nova perspectiva com a qual não estamos acostumados na grande mídia, afirmou.

    A rede CNN ainda conta com Alex Castellanos, estrategista político republicano nascido em Cuba, e Leslie Sanchez, mexicana e republicana que também apareceu na Fox News. Donna Brazile, que é negra e reconhecida estrategista democrata, é também uma colaboradora regular da CNN.

    Entre os colegas da MSNBC está Michelle Bernard, advogada negra e com visões conservadoras; Rachel Maddow, branca e pilota um programa na rádio liberal Air América; Eugene H. Robinson, colunista negra do Washington Post; e Joe Watkins, republicano estrategista que também é da raça negra. Na última semana, Harold Ford Jr, ex-congressista do Tennessee, estreou na MSNBC como analista político. Ford, um democrata negro, também tem feito análises para a Fox News.

    Todos os comentaristas aparecem quando os veículos necessitam deles, mas na televisão eles têm um papel maior. Embora alguns ainda permaneçam no anonimato para a maior parte da audiência, eles possuem currículos extensos, que na maioria das vezes incluem experiências em jornalismo, na política, de âmbito acadêmico, em organizações sem fins lucrativos ou nos negócios.

    Quando perguntado como as redes encontram os comentaristas, Griffin diz: é uma informação que corre de boca a boca, alguém diz, vamos usar essa pessoa. Ele ainda acrescentou: Após a situação de Don Imus, tivemos que refletir e dizer que temos um grande compromisso com a diversidade.

    Jon Klein, presidente das redes locais da CNN, disse que acredita que as mesmas forças históricas que colocaram Obama e Hillary na disputa pela nomeação democrata também mostram que mais pessoas de cor e mais mulheres estão disponíveis para esta função. O canal não convida essas pessoas apenas por causa da eleição, diz, acrescentando que a CNN tem um compromisso com o reflexo verdadeiro do país.

    Barbara Ciara, presidente da Associação de Jornalistas Negros, disse que toda a cobertura na televisão deixa muito a desejar em relação aos membros da sua organização. De acordo com ela, os especialistas políticos negros muitas vezes desaparecem tão rapidamente como surgiram, e freqüentemente falam apenas sobre a raça.

    Segundo Ciara, uma maior variedade tem sido notada nas últimas semanas nos noticiários, principalmente nas abordagens do discurso de Obama sobre raça, por exemplo, resultado de uma polêmica em torno das declarações de seu pastor religioso.

    A diversidade não é somente positiva para o jornalismo, mas também para um bom negócio, diz Ciara.

    Não precisa ser um neurocirurgião para entender que grande parte da audiência é composta por expectadores negros, latinos e mulheres, disse Al Primo, executivo de telejornalismo, criador do formato "Eyewitness News" e que ajudou muitos jornalistas negros e latinos a entrarem no ramo. Ele acrescentou: se você é um latino-americano ou um africano-americano, você não quer ter a sensação de que eles não entendem sua perspectiva.

    - Felicia R. Lee

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