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Assessores de Obama e McCain vão a palestra sobre situação preocupante no Afeganistão

WASHINGTON ¿ Há duas semanas, altos funcionários da administração de Bush se encontraram secretamente com especialistas sobre o Afeganistão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O encontro ocorreu em um clube privado de Washington, a algumas quadras da Casa Branca. O grupo estava lá para entregar uma notícia ruim: a situação no Afeganistão está piorando. Os espectadores eram assessores das campanhas presidenciais de John McCain e de Barack Obama.

The New York Times |

De acordo com os participantes das discussões, dois dias depois do evento, especialistas relataram os assuntos mais urgentes do Afeganistão. Procuraram esclarecer que o próximo presidente precisará ter um plano para o Afeganistão antes de assumir o mandato em 20 de janeiro. Do contrário, disseram, pode ser tarde demais.

Com o crescimento do número de mortes de americanos e as milícias do Talibã ganhando novas forças, os especialistas no Afeganistão disseram que o próximo presidente deverá decidir rapidamente se ele pretende manter as tropas no País, porque mesmo depois da distribuição das ordens de posicionamento estratégico, poderá levar semanas ou meses para que as forças americanas cheguem.

O próximo presidente também irá enfrentar o que podem ser decisões politicamente difíceis sobre o quão agressivamente continuará a campanha contra os militantes escondidos em áreas tribais no Paquistão e se haverá negociações com o Afeganistão com o objetivo de conseguir que membros do Talibã renunciem às armas. As discussões começaram no início deste mês na Arábia Saudita e as conversas entre oficiais afegãos e representantes do Talibã continuaram em Cabul a pedido do presidente do Afeganistão Hamid Karzai.

A administração de Bush tem sido cautelosa com essas conversas, porque elas podem envolver combatentes que mataram tropas americanas e acredita-se que os líderes veteranos do Talibã não teriam interesse em negociações sérias. Mas foi dito que alguns oficiais americanos mais velhos, incluindo William B. Wood, embaixador dos EUA em Cabul, estão pressionando a Casa Branca para que ela ao menos considere tomar uma posição mais flexível.

Planos futuros

O relato sobre o Afeganistão parece ter sido o mais extenso, dentre relatórios sobre outros assuntos, que os oficiais da administração de Bush providenciaram para ambas as campanhas presidenciais. Foi organizado por Barnett R. Rubin, especialista sobre o Afeganistão e professor da Universidade de Nova York, e incluiu John K. Wood, diretor veterano do Afeganistão no Conselho Nacional de Segurança; lt. (lugar-tenente) gen. Karl. W. Eikenberry, ex-comandante Americano no Afeganistão que agora está no centro de operações da OTAN; e Kai Eide, representante da ONU no Afeganistão, de acordo com alguns participantes.

A intenção é assegurar que todos entendam que a situação requer movimentos rápidos e que se a nova administração levar três meses tentando decidir o que fazer, será tarde demais, disse um funcionário da administração que participou da discussão.

A campanha de Obama mandou Jonah Blank, especialista política externa do gabinete do senador Joseph R. Biden Jr., vice do democrata, e Craig Mullaney, outro assessor de Obama, disseram participantes. Eles também afirmara que a campanha de McCain foi representada por Lisa Curtis e Kori Schake, dois ex-oficiais do Departamento de Estado.

A sessão não foi secreta, mas os participantes concordaram em não discutir publicamente seus relatórios ou o conteúdo das discussões.

O relatório faz parte de um esforço da administração de Bush, que está saindo do cargo, para facilitar a transição para a próxima equipe em um momento de guerra e de transição econômica, e para que oficiais com permissão tentem ter alguma influência sobre os planos da nova administração.

Tanto Obama quanto McCain prometeram aumentar o número de tropas americanas no Afeganistão. Em Washington, muitos estão esperando os resultados de uma análise feita pelo gen. David H. Petraeus, que comanda todas as forças americanas no Iraque e no Afeganistão, no Comando Central, na sexta-feira.

Recomendações

Oficiais da inteligência americana acreditam que comandantes do Talibã estão convictos de que estão ganhando. Eles não estão apenas se organizando em grupos maiores pelo país, como também têm uma campanha de violência que está balançando a vontade dos países europeus em contribuir com tropas para a missão da OTAN.

A análise de Petraeus fará recomendações para o futuro sobre uma possível necessidade de tropas adicionais no Afeganistão e, nesse caso, a quantidade. Gen. David D. McKiernan, o mais alto comandante dos EUA no Afeganistão, solicitou três equipes de brigadas de combate adicionais para a missão, além de uma brigada extra do Exército e um batalhão dos fuzileiros navais, esta última já foi aprovada pelo presidente Bush.

Caso o pedido de McKiernan seja aceito, espera-se que haja um aumento de mais de 15 mil combatentes nas tropas de apoio à missão. Também são esperados, para janeiro, mais de 8 mil homens, segundo ordens emitidas por Bush.

Os comandantes americanos também falaram sobre a importância de um relacionamento melhor com tribos afegãs, como arma contra a invasão Talibã. Alguns sugeriram usar o modelo do despertar tribal usado no Iraque, quando os militares americanos se atrelaram a alguns ex-rebeldes sunitas para tentar expulsar a Al-Qaeda da Mesopotâmia.

Mas McKiernan citou diferenças significantes na história e na cultura do Afeganistão, como também uma complexidade maior no sistema tribal afegão e as razões pelas quais o modelo do Iraque não se aplica diretamente ao país. O general disse recentemente que dentre as mais de 400 principais redes tribais no Afeganistão, a maioria ficou traumatizada pelos 30 anos de guerra, por isso muito da estrutura tradicional da tribo se decompôs.

Por MARK MAZZETTI e ERIC SCHMITT

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