Assassinato de americano revela história de desespero e perda na China

PEQUIM - Tang Yongming não era diferente de inúmeros outros homens despreparados de meia idade que lutam para encontrar seu caminho na nova China.

The New York Times |

Demitido de uma fábrica na região central da cidade de Hangzhou, Tang, 47, se sustentou brevemente como vigia. Então, há dois anos, ele se viu desempregado, falido e vivendo sozinho num quarto alugado sem móveis e sem futuro.

Amigos e antigos colegas de trabalho dizem que ele era temperamental, sem rumo e incapaz de encontrar seu caminho em meio ao crescimento econômico da China.

Mas, apesar de Tang ter seus momentos de desespero e frustração, aqueles que o conheciam não conseguiram explicar porque ele atacou um casal de turistas americanos e seu guia chinês no sábado, esfaqueando fatalmente o homem de 62 anos e ferindo os outros antes de saltar de encontro à morte da varanda de observação da Torre do Tambor, um dos principais monumentos históricos de Pequim.

Todd Bachman, um homem de negócios de Minnesota cujo genro é técnico do time de vôlei masculino americano, foi morto. Sua mulher, Barbara, 62, ferida gravemente, bem como o guia chinês, cujo nome não foi revelado.

O presidente Hu Jintao, em encontro com o presidente Bush no domingo, expressou suas condolescências às vítimas e suas famílias e disse que a polícia irá investigar a fundo a questão. "Os chineses levarão esse infeliz incidente muito a sério", ele disse. Tang não tinha ficha criminal, disseram os investigadores.

Passado

No interior de Hangzhou, onde passou a maior parte de sua vida, os vizinhos e ex-colegas de trabalho dizem que ele era ranzinza e briguento. "Ele reclamava bastante e era muito cínico", disse sua antiga colega de trabalho Zhang Liping. "Ele tinha uma boca dura".

Eles concordaram que Tang representava o típico trabalhador deixado de lado pelas dificuldades das indústrias estatais. "Ele tinha um temperamento inquieto e sempre reclamava da sociedade", disse um antigo colega que informou apenas seu apelido, Aqing.

O senhorio Jiang Beigen disse que Tang pagava US$ 53 por mês pelo quarto não mobiliado. De acordo com Jiang e outros moradores do local, Tang parecia ter apenas uma camisa e uma calça, que lavava à mão durante à noite. Ele não tinha emprego e geralmente dormia até tarde.

Na semana passada, Tang anunciou que iria deixar a cidade. De acordo com a polícia, ele ligou para seu filho naquela noite e disse que não voltaria até que conseguisse um pouco de sucesso.

Por ANDREW JACOBS

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