Assange fala de conspiração judaica contra WikiLeaks, diz revista

Artigo da revista Private Eye detalha reclamações do fundador do site sobre cobertura de veículos como o britânico The Guardian

The New York Times |

Um relato publicado por uma revista britânica na terça-feira diz que o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, sugeriu que jornalistas britânicos, incluindo o editor do Guardian, estão envolvidos em uma conspiração judaica para manchar o nome de sua organização.

Suas declarações apareceram na revista Private Eye, em um artigo de seu editor Ian Hislop, que detalhou um telefonema que recebeu de Assange no dia 16 de fevereiro para reclamar da cobertura realizada sobre o WikiLeaks.

AFP
Assange concede entrevista coletiva após deixar tribunal em Londres (24/2/2011)
Ele ficou especialmente irritado com um artigo da Private Eye que dizia que Israel Shamir, um associado de Assange na Rússia, nega a existência do Holocausto. Assange reclamou que o artigo fazia parte de uma campanha da imprensa judaica em Londres para sujar a imagem do WikiLeaks.

Um advogado de Assange não pode ser imediatamente contatado para comentar a questão, mas em uma declaração feita mais tarde pelo Twitter do WikiLeaks, Assange disse que Hislop havia "distorcido, inventado ou lembrado de maneira incorreta de quase todas as afirmações e frases importantes” da conversa.

O artigo da Private Eye citou Assange dizendo que a conspiração foi liderada pelo jornal The Guardian e inclui o editor do jornal, Alan Rusbridger, o editor de investigações, David Leigh, assim como John Kampfner, um proeminente jornalista de Londres que escreveu críticas a dois livros sobre o WikiLeaks recentemente para o Sunday Times.

Quando Hislop apontou que Rusbridger não é judeu, Assange contrapôs que o editor do Guardian é "uma espécie de judeu", porque ele e Leigh, que é judeu, são cunhados. Posteriormente, o artigo fala, Assange pediu a Hislop para "esquecer a questão dos judeus", mas continuou a insistir que houve uma conspiração contra o WikiLeaks com base na amizade entre Rusbridger, Leigh e Kampfner.

Falso

No Twitter, Assange disse que o relato da Private Eye de que ele acredita em uma "’conspiração judaica’ é falso, em espírito e palavra. É grave e preocupante. Invés de corrigir uma acusação, o Sr. Hislop tentou justificá-la com outra”.

"Que ele tenha uma reputação por isso, e que seja famoso por ter sido processado por difamação mais vezes do que qualquer outro jornalista no Reino Unido como resultado disso, não significa que ele esteja certo", disse Assange. "O WikiLeaks promove o ideal de um jornalismo científico no qual as provas de todos os artigos fiquem disponíveis ao leitor, precisamente para evitar esse tipo de distorções. Nós estimamos o forte apoio dos judeus na nossa equipe, assim como valorizamos o apoio de ativistas árabes defensores da democracia e outros que compartilham a nossa esperança de um mundo mais justo", disse.

*Por Ravi Somaiya

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