Ascensão de Obama sinaliza o final da era Clinton

Depois de 16 anos, a era Clinton pode estar chegando a um fim, dando aos democratas uma histórica, mas potencialmente arrebatadora transição e um desafio ao senador Barack Obama enquanto ele tenta reconciliar um partido profundamente dividido.

The New York Times |

Bill e Hillary Clinton estiveram no centro do Partido Democrata desde que ele começou a pilotar a Casa Branca em 1992, com uma campanha que combinou um apelo moderado com as táticas políticas rígidas que antes haviam sido a ocupação dos republicanos. Hillary parecia engajada no ano passado em liderar os democratas na campanha de eleições gerais, se não além.

E apesar da relação entre a base do partido e os Clinton sempre ter sido no mínimo estranha, uma geração inteira de democratas não conhece personagens tão dominantes como os dois.

Hillary disse, na quarta-feira, que ela permaneceria na corrida apesar de sua perda na Carolina do Norte e sua vitória estreita em Indiana. Mas por todo o partido, os democratas - incluindo alguns de seus apoiadores ¿ confrontam uma possibilidade cada vez maior de que suas confusões de laços e sentimentos em relação aos Clinton seja deixado de lado agora, enquanto o partido se prepara para uma nova era com um líder, Obama, que vem de uma geração diferente e promete um estilo de política muito diferente.

Haverá um novo grupo de pessoas comandando o show, disse Simon Rosenberg, diretor executive da Nova Rede Democrata, uma organização de ação política não afiliada com nenhum dos candidatos. Os Clinton e seus aliados administraram tudo por 16 anos. Você verá uma nova geração de líderes políticos se apresentando. Isso irá criar uma revolta.

Gary Hart, um ex-senador pelo Colorado que concorreu a presidência em 1984 e agora apóia Obama disse: pelo menos metade da administração de Obama, se ele for eleito, será de pessoas na Casa Branca pela primeira vez: membros do gabinete e principais nomeados.

Certamente, ninguém espera que um casal com tantas habilidades políticas, uma grande rede, apelo amplo e histórico ¿ sem mencionar o poder de angariar fundos ¿ desapareça do cenário democrata. Hillary Clinton provavelmente voltará ao que pode ser um papel de grande importância no Senado. Bill Clinton tem somente 61 anos, e nunca foi o tipo de político feliz na periferia.

Mas o movimento de Obama para a extremidade da nomeação está carregado de simbolismo e provas de um partido em transição. Candidato presidencial pela primeira vez, ele até agora conseguiu manobrar a máquina política dos Clinton. Ele posicionou sua candidatura como um repúdio ao tipo de política praticada pelos Clinton e um rompimento de geração. E atraiu milhares de novos eleitores e doadores, dando ao partido um rosto e energia novos.

Os Clinton tiveram um papel importante na história recente do Partido Democrata e irá sempre ter algum papel, dado seu sucesso em trazer paz e prosperidade para esse país, disse o senador democrata por Massachusetts, Edward M. Kennedy, que declarou apoio a Obama. Mas as eleições são sobre o futuro, não o passado. É uma nova era. É um novo espírito que está aí fora.

Mesmo assim, esse é um novo território para o partido e a tentativa de unir o novo com o velho ¿ idéias, líderes e eleitores ¿ pode se provar desarticulador. Muitos no partido, mesmo cansados dos Clinton, apreciam a extensão que Bill ajudou a resgatar o partido depois de 12 anos longe da Casa Branca. O casal, de muitas maneiras, é uma segurança para muitos lá dentro; isso pode não ser fácil de largar.

Tudo isso representa um desafio para Obama, enquanto ele busca tirar a ala Clinton do partido além de sua era sem ofender a base considerável de apoiadores de Hillary. A apuração de votos em Indiana e Carolina do Norte mais uma vez mostrou como o partido está dividido entre jovens e velhos, negros e brancos, renda baixa ou alta.

Isso será duro, disse Bob Kerrey, ex-senador de Nebraska e apoiador de Hillary. Parte do que eu vi nessa campanha é quão difícil é unir esse partido: os eleitores da Virginia Ocidental e os do sul de Los Angeles. Isso é o que ele precisa fazer e será difícil.

- Adam Nagourney

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