Arquiteto de centro islâmico é iniciante em negócios imobiliários

Sharif el-Gamal, de 37 anos, é o construtor que está por trás do centro comunitário muçulmano perto do Marco Zero, em Nova York

The New York Times |

Sharif el-Gamal é um recém-chegado no negócio imobiliário da cidade de Nova York. Ele conseguiu sua licença de corretor em 2002 e está desenvolvendo dois projetos de condomínio. Ele vem da família bem-sucedida de um executivo de banco, mas não de milhões adquiridos com imóveis.

Com uma carreira marcada pela ambição, mas ainda em seus estágios iniciais, El-Gamal, 37 anos, assumiu um desafio colossal. Ele é o construtor por trás da obra do centro comunitário muçulmano perto do Marco Zero – um projeto que ele estima que irá custar US$ 100 milhões e que está no centro do debate mais polêmico sobre o islã, os Estados Unidos e a liberdade de religião desde o 11 de Setembro.

The New York Times
O arquiteto Sharif el-Gamal em seu escritório em Nova York
É o tipo de projeto – um edifício de 15 andares, aberto a todos, com teatro, programas educativos, piscina, restaurante, mesquita e memorial ao 11 de Setembro – que as pessoas com experiência em desenvolvimento de Manhattan dizem que precisam de anos de trabalho de base, mesmo quando não há controvérsia.

Debate

Pondo de lado os debates que pairam sobre a adequação do projeto e seu significado, muitos fazem uma pergunta mais simples: El-Gamal conseguirá conclui-lo?

El-Gamal pretende arrecadar US$70 milhões em títulos isentos de impostos, que filiações religiosas sem fins lucrativos podem obter – mas só se conseguirem provar que suas instalações vão beneficiar o público em geral, com funções religiosas financiadas separadamente.

Ele pretende recrutar um conselho de líderes empresariais e cívicos – cristãos, judeus e muçulmanos – para arrecadar outros US$ 30 milhões ou US$ 40 milhões. Mas a controvérsia complica o recrutamento e as doações serão prejudicadas tanto pela economia quanto controladas pelos adversários.

El-Gamal disse a apoiadores do projeto que ele não irá receber nenhum dinheiro relacionado com valores “não americanos” e que as doações serão avaliadas por autoridades federais e estaduais, e por conselhos separados para o centro e a mesquita.

Nos últimos dias, El-Gamal reafirmou o controle sobre a imagem do projeto, ressaltando que ele, não o imã Abdul Rauf Feisal, está no comando e contratando um novo assessor de relações públicas, Lawrence Kopp -  o que coloca holofote sobre El-Gamal. 

Seu pai, um egípcio, foi diretor-gerente do Chemical Bank. Seus pais se divorciaram e ele morou no Brooklyn até os nove anos de idade, quando sua mãe, uma polaca católica, morreu, e ele então seguiu seu pai para a Libéria e o Egito.

El-Gamal retornou aos Estados Unidos para a faculdade, estudando arquitetura e economia antes de desistir. Um irmão mais novo, Sammy, é sócio em sua empresa, a SoHo Properties, uma irmã é analista do Líbano para o Pentágono.

Como proprietário e desenvolvedor, ele está apenas começando, pelos padrões de Nova York. Registros públicos mostram que El-Gamal comprou desde 2007, uma meia dúzia de prédios de apartamentos por um valor entre US$1,075 milhão e US$ 2,8 milhões. Ele comprou seu primeiro grande edifício de escritórios em 2009.

*Por Anne Barnard e Christine Haughney

    Leia tudo sobre: al-qaeda11 de setembroeuaobamamesquitanova york

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG