Arqueólogos embarcam em operação para mapear Titanic

Usando câmeras acopladas aos submarinos, serão tiradas cerca de 80 mil fotografias

The New York Times |

Nos 23 anos desde que mergulhadores chegaram pela primeira vez aos destroços do Titanic, os esforços comerciais para tentar recuperar artefatos retirados do navio têm despertado tantas controvérsias científicas quanto curiosidade do público. 

Muitos arqueólogos e outros – incluindo Robert D. Ballard do Instituto Oceanográfico Woods Hole, que liderou uma equipe francoamericana que descobriu os destroços há 25 anos – queriam que o local fosse deixado intocado como um memorial.

Alguns deles comparam os esforços de resgate de artefatos com o roubo de túmulos. Agora, a RMS Titanic, empresa americana que removeu cerca de 4.650 artefatos do Titanic, vai tentar fazer as pazes com a comunidade científica, patrocinando duas viagens. A primeira delas embarcou no domingo de St. John's, Newfoundland.

AP
Ideia é mapear o local como um passo para a criação de um plano de gestão para o navio naufragado
Essas viagens incluem equipes de arqueólogos, que irão documentar e mapear cuidadosamente o local pela primeira vez como um passo para a criação de um plano de gestão a longo prazo para o navio naufragado.

“Essa é uma abordagem muito diferente para a minha empresa”, disse Chris Davino, presidente da Premier Exhibitions, empresa-mãe da RMS Titanic. “Havia uma certa descrença entre alguns grupos dado o histórico do relacionamento da Premier e da RMS Titanic com a comunidade arqueológica. E essa descrença se justificava”.

E studo

Com exceção de algumas amostras do casco, que os pesquisadores usam para estudar as bactérias que estão lentamente consumindo o transatlântico no fundo do oceano, nada será retirado dos destroços, que fica a cerca de 2,5 quilômetros de profundeza. Ao invés disso, o grupo de pesquisas pretende documentar cuidadosamente a área, na esperança de que análises concretas possam criar uma linha de base para o cálculo da taxa pela qual o navio sucumbe ao banquete bacteriano.

Embora as imagens dos destroços no fundo do oceano tenham se tornado comuns nas últimas duas décadas, David Gallo, diretor de projetos especiais em Woods Hole, afirmou que além da popa e proa muito permanece não registrado.

Para P.H. Nargeolet, diretor de pesquisa submarina da RMS Titanic, melhorias em submarinos robóticos serão o fator mais importante na documentação. Esses submarinos podem traçar precisamente uma grade detalhada, medindo cerca de três a seis quilômetros, disse Nargeolet. Seu software pode, em seguida, converter as informações em um mapa 3-D dos destroços.

Usando esse mapa para orientação, as câmeras acopladas aos submarinos irão tirar cerca de 80 mil fotografias. Finalmente, essas imagens serão digitalmente coladas no mapa para criar uma foto 3-D.

A viagem foi motivada por uma mudança de gestão na RMS Titanic, que luta nos tribunais há 17 anos para ser concedida a posse dos artefatos recolhidos depois de 1987 ou compensada por seu resgate.

Em vez de combater os arqueólogos, a nova administração da empresa se reuniu com um grupo deles um ano atrás e descobriu que mapear cuidadosamente o local dos destroços é uma prioridade da comunidade científica

*Por Ian Austen

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