Aprofunda-se o dilema sobre a transmissão de HIV pela amamentação

Para uma mãe infectada com o vírus da Aids, a amamentação traz um dilema de vida e morte.

The New York Times |

Usar a fórmula que substitui o leite materno protege seu filho do HIV. Mas feita com água suja, ela aumenta as chances de que a criança morra de diarréia e subnutrição. Em países pobres, a maioria das mães ainda amamenta, graças à tradição, ao alto preço da fórmula ¿ e porque usar o substituto denuncia aos bisbilhoteiros locais que a mãe estaria infectada.

Como resultado, pelo menos 150.000 bebês são infectados anualmente por suas mães pela amamentação, conforme estimam os especialistas.

Ao tentar evitar isso, pesquisadores da Aids trombaram com seu próprio e terrível dilema. Uma dose de nevirapina, remédio antiretroviral barato, pode prevenir a transmissão de mãe para filho. Mas uma única dose não funciona sempre.

E a nevirapina pode ser perigosa; algumas crianças desenvolvem falência do fígado, erupções ou contagens baixas de glóbulos brancos no sangue. Além disso, a resistência à droga se desenvolve rapidamente, significando que uma criança que tomar nevirapina e mesmo assim for infectada não poderá tomar os coquetéis de terapia tripla ou qualquer droga relacionada.

Na semana passada, o jornal The Lancet descreveu estudos em que 2.000 bebês na Etiópia, Índia e Uganda tomaram nevirapina durante seis semanas, durante a amamentação. A experiência, que descobriu que seis semanas não garantiam imunidade, apenas aumentou a controvérsia.

Os autores do estudo sugeriram que as crianças poderiam precisar de mais nevirapina. Mas alguns dos pesquisadores indianos discordaram publicamente, dizendo em uma carta a The Lancet que a droga era arriscada demais e que a alimentação pela fórmula ¿ mais segura ¿ deveria ser encorajada.

Por: DONALD G. MCNEIL JR.

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