Após vitória, Rahm Emanuel enfrenta desafios em Chicago

Novo prefeito da terceira maior cidade dos EUA, ex-chefe de gabinete de Obama tem estilo bem diferente de antecessor

The New York Times |

Aos olhos de alguns, a vitória de Rahm Emanuel na disputa pela prefeitura da cidade de Chicago marca o fim de uma pequena discórdia política, mas o início de um caos muito maior.

Chicago teve o prefeito Richard M. Daley por 22 anos e, gostando ou não de sua abordagem, a cidade certamente se acostumou a ela. Assim, quando Emanuel, o ex-chefe de gabinete do presidente Barack Obama, se mudar para o quinto andar da prefeitura, em maio, espera-se que ele irá sacudir a política local – não apenas porque as coisas têm sido quase sempre as mesmas nos últimos tempos, mas também por causa do estilo duro de Emanuel, seus relacionamentos e rivais, e os enormes desafios que a terceira maior cidade do país enfrenta.

"Haverá confusão", afirmou Kenneth Gould, morador de um subúrbio de Chicago, conforme o resultado da disputa de terça-feira passada – uma vitória definitiva de Emanuel – tornava-se cada vez mais provável. "Rahm vai fazer mais barulho”.

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Rahm Emanuel em sua primeira coletiva de imprensa como prefeito de Chicago (23/2/2011)
De fato, em sua primeira entrevista coletiva como prefeito eleito na quarta-feira, Emanuel deixou perfeitamente claro que a mudança está chegando. "Essa eleição é sobre reformas", disse ele, acrescentando em outro ponto: "Eu vou estender minha mão para todos que trabalharem por reformas".

Seja qual for o barulho feito por Emanuel, ele provavelmente será ouvido muito além dos limites da cidade. O estreito laço entre Emanuel e Obama – que fez questão de emitir uma declaração dizendo que Emanuel seria um "ótimo prefeito" – significa que as pessoas fora de Chicago estarão tomando nota de cada movimento de Emanuel, seus sucessos e seus fracassos.

Vereadores

Desde que deixou a Casa Branca no ano passado para concorrer à prefeitura, Emanuel tem suavizado o seu estilo franco e, às vezes, mordaz. Mas muitos em Chicago esperam para ver se o novo tom será abandonado quando ele começar a disputar as políticas locais com os 50 vereadores da cidade.

Antes mesmo de tomar posse, há sinais de tumulto: o vereador Ed Burke, um dos membros mais antigos do Conselho Municipal, apoiou um dos adversários de Emanuel na campanha. E antes do dia da eleição, Emanuel sugeriu que Burke deveria se preparar para o novo prefeito, indicando durante um debate que Burke pode precisar abrir mão de parte de sua comitiva de segurança, e que algumas presidências das comissões (Burke lidera o poderoso comitê financeiro) precisam de mudança.

Na coletiva de imprensa, Emanuel manteve a atitude calma e amigável que adotou durante a campanha eleitoral. Ele disse que pretende trabalhar com o Conselho Municipal para cumprir a sua agenda. Quando um repórter perguntou sobre um possível conflito com o poderoso Burke, Emanuel riu e disse: "Estou tão orgulhoso de vocês, levaram apenas três perguntas para chegar a esta”.

"Eu disse que esta vai ser uma nova parceria", disse Emanuel sobre trabalhar com o Conselho Municipal. "Eles não podem ser o carimbo de borracha que define tudo. Isso é inaceitável. Os desafios são muito grandes. Eles não querem isso, a cidade não quer isso e eu não quero isso. A cidade também sabe que nós pagamos um preço pelas disputas no conselho. Esses dois extremos – guerras de carimbos e disputas no conselho – são inaceitáveis. Peço-lhes para serem parceiros na reforma. Se tiverem ideias de como economizar dinheiro, que venham ao meu escritório”.

O relacionamento de Daley com os vereadores da cidade era simples. Com poucas exceções, eles faziam o que queriam.

Novo grupo

Mas caso queira, o Conselho Municipal da cidade pode ter bastante peso. E com um grupo de vereadores novos chegando à casa após as eleições de terça-feira e o segundo turno de abril, além de outro grupo de vereadores cuja vida política se deve, pelo menos em parte, à ajuda de Daley, o relacionamento do município com o novo prefeito parece totalmente volátil.

É evidente que Emanuel tem um enorme desafio pela frente, fazendo com que mudanças drásticas e dolorosas sejam inevitáveis. Emanuel não se esquivou de mudanças: ele já se comprometeu a contratar 1 mil novos policiais, alterar o sistema de coleta de lixo e transferir o imposto sobre vendas para cobrir serviços extravagantes como, nas palavras de Emanuel, "uma limpeza facial para cachorros”. (Ele vai precisar da ajuda do legislativo estadual para mudar o imposto sobre as vendas dessa maneira.)

"Eu acho que Rahm vai quebrar muitas regras", disse Evan Gordon, 51 anos, que participou da festa da vitória de Emanuel na noite de terça-feira. Mais de um eleitor disseram esperar que Emanuel "limpe a casa" imediatamente, removendo todos os funcionários antigos.

Orçamento

Ele também precisará responder a um déficit orçamentário de mais de US$ 600 milhões, segundo algumas estimativas, abordar as preocupações sobre segurança, empregos e escolas, e lidar com a polêmica questão de se reduzir os benefícios de pensão para os trabalhadores da cidade (o próprio Emanuel diz que não receberá pensões). A questão das pensões preocupa especialmente bombeiros e policiais, e Emanuel fez pouco para acalmar seus temores um dia após sua eleição.

"Temos um grande buraco", disse Emanuel sobre os investimentos em pensões. "Ele não pode ser corrigido facilmente". Uma campanha convincente é uma coisa, governar pode ser muito mais difícil.

Das principais preocupações financeiras da cidade, o consultor político Don Rosa disse que nenhum dos candidatos – nem mesmo Emanuel – tinha abordado o problema de uma forma significativa. "Eles ficam pelas bordas e isso não será mais possível", disse Rose.

A única opção restante, segundo muitos em Chicago, é algo dramático e surpreendente. Algo que irá virar as coisas do avesso.

*Por Monica Davey

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