Após Shalit, Israel deve mudar regras na troca de prisioneiros

Ministro da Defesa diz que planeja regras que impeçam acordos desequilibrados depois que Gilad Shalit foi trocado por 1.027 presos

The New York Times |

Israel, que recentemente trocou 1.027 prisioneiros palestinos por um de seus soldados preso pelo Hamas, está planejando estabelecer uma série de regras que possam impedir que esse tipo de troca desequilibrada possa voltar a acontecer em um futuro próximo, disse o ministro da Defesa Ehud Barak, na quinta-feira.

AP
Abraçado pelo pai, Shalit caminha ao lado do premiê de Israel, Benjamin Netanyahu
Em uma entrevista à rádio Israel, Barak foi questionado sobre um relatório confidencial que lhe foi apresentado com as orientações para lidar com as negociações de soldados sequestrados. O entrevistador perguntou se as regras deviam se tornar mais rígidas para que não deixassem negociar "mil terroristas por um soldado."

"Acredito que essa será a conclusão", disse Barak. "Não há outra escolha. Temos que mudar as regras fundamentalmente para proteger os interesses gerais do Estado". Ele disse que uma parte importante das conclusões do relatório foram a respeito da maneira de "abordar as negociações, em que âmbito, sob quais regras, e eu acho que está claro que as regras terão que ser muito mais rigorosas."

A troca foi feita para libertar Gilad Shalit, o sargento israelense que foi capturado pelo Hamas em um ataque na fronteira e mantido prisioneiro por mais de cinco anos.

Em um acordo mediado pelo Egito no ano passado, Israel concordou com uma libertação de prisioneiros dividida em duas partes. Na primeira, que ocorreu em outubro, foram libertados 477 prisioneiros , a maioria dos quais havia sido condenada por homicídio, tentativa de homicídio ou de intencionalmente causar a morte.

Entre eles, estavam os fundadores das Forças Armadas e dos militantes do Hamas que sequestraram e mataram soldados e civis israelenses, um mentor do atentado de 2001 contra uma pizzaria em Jerusalém, que matou 15 pessoas, e uma mulher que atraiu um adolescente israelense apaixonado a uma cidade palestina e mandou que o assassinassem.

A segunda fase, no mês passado, envolveu o que os israelenses chamam de prisioneiros de baixo risco. Nenhum deles tinha sido condenado por matar ou ferir ninguém, e nenhum deles eram membros do Hamas ou do Jihad Islâmico.

Israel fez uma série de trocas de prisioneiros no passado, começando em 1985, quando negociou 1.050 prisioneiros por três israelenses capturados durante a guerra do Líbano. Barak se refere a essa história, dizendo que era "hora de efetuar mudanças nessa ladeira escorregadia".

Em um comunicado separado emitido por sua administração, Barak disse que tinha nomeado uma comissão para analisar a questão em 2008 e pediu a um ex-juiz da Suprema Corte, Meir Sangar, para mediar a comissão. Ele disse que um acordo foi feito e que as conclusões não seriam apresentadas antes do retorno de Shalit.

O comunicado acrescenta que, dada a região em que Israel se encontra, a nação poderá enfrentar dificuldades em garantir seus interesses vitais "a não ser que mudemos as regras, a realidade e os resultados de negócios como aqueles que temos presenciado nos últimos 25 anos."

Tanto na declaração assim como na entrevista de rádio, Barak se recusou a ser mais específico, dizendo que o relatório, que segundo ele tem quase 100 páginas, é confidencial e que em última análise, as novas regras terão que ser estabelecidas pelo primeiro-ministro e pelo governo.

Por Ethan Bronner

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