Após retirada americana, cresce temor de conflito sectário no Iraque

Ordem de prisão contra vice-presidente ressalta temor de que governo iraquiano use instituições para atacar inimigos políticos

The New York Times |

Um dia depois de os Estados Unidos retirarem suas últimas tropas de combate do Iraque, o país mergulhou em uma crise política perigosa: o governo dominado pelos xiitas ordenou a prisão do seu vice-presidente sunita, acusando-o de coordenar um esquadrão que matou policiais e autoridades do governo.

As acusações sensacionalistas provocaram uma resposta preocupada de Washington e levaram o governo do Iraque à beira do colapso.

Uma grande coalizão política apoiada pelos sunitas afirmou que seus ministros abandonariam os cargos, deixando à deriva agências que lidam com finanças, escolas e agricultura do país.

As acusações contra o vice-presidente Tareq al-Hashemi também ressaltaram temores de que os líderes iraquianos agora podem usar as próprias instituições nas quais o governo americano investiu milhões de dólares na tentativa de fortalecer - a polícia, os tribunais, a mídia - como um meio de atacar seus inimigos políticos e consolidar seu poder.

Al-Hashemi estava na região norte semi-autônoma do Curdistão, fora do alcance das forças de segurança controladas por Bagdá. Não ficou claro quando - ou se - ele voltaria. Em Washington, onde as autoridades discretamente comemoravam o fim da guerra, oficiais do governo Obama pareceram alarmados com a ordem de prisão contra Al-Hashemi.

"Estamos conversando com todos os partidos e expressando a nossa preocupação em relação a estes acontecimentos", disse Tommy Vietor, o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional. "Estamos pedindo a todos os lados para que trabalhem para resolver suas diferenças de forma pacífica e através do diálogo, de forma consistente com o Estado de direito e o processo político democrático."

Os conflitos na relação entre o primeiro-ministro Nouri al-Maliki, Al-Hashemi e seu partido Iraqiya acontecem em um momento inoportuno para o governo por causa da sua proximidade com a retirada das tropas americanas.

Autoridades dos Estados Unidos passaram anos tentando encorajar o governo iraquiano dominado pelos xiitas a trabalhar com a minoria sunita do país, e têm receio de que as coisas desmoronem agora.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse na semana passada, em suas declarações durante uma cerimônia de boas-vindas às tropas de regresso a Fort Bragg, Carolina do Norte, que o futuro do Iraque agora está "nas mãos do povo iraquiano”.

Mas tendo retirado suas tropas de combate do país, não está claro se os Estados Unidos mantêm influência suficiente para limitar as tensões sectárias que alguns analistas dizem que poderiam arrastar o país de volta ao caos e à violência dos últimos anos e até mesmo dividí-lo geograficamente.

O governo argumentou contra Al-Hashemi em um programa televisivo de meia hora que foi tão agressivamente promovido quanto um especial do horário nobre. Em confissões gravadas em um vídeo pouco nítido, três homens disseram ter cometido assassinatos em nome dele.

Os homens disseram que explodiram carros, atacaram comboios com armadas silenciadas e por isso foram recompensados com envelopes contendo US$ 3 mil em notas americanas.

Para os críticos do governo, as acusações pareciam fazer parte de uma ampla consolidação de poder por parte Al-Maliki.

Por Jack Healy

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