Após morte por policiais, manifestantes pedem mudanças no Egito

Assassinato de jovem de 28 anos provoca manifestações contra a força de segurança do país

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Ahmed Kassem mostra foto de seu irmão, Khaled Said, morto por policiais em Alexandria
Os dois policiais à paisana não pareciam se incomodar com os espectadores que assistiram quando eles espancaram um jovem de 28 anos de idade no hall de entrada de um prédio no mês passado, disse uma testemunha.

Um dos espectadores, Amal Kamel, se posicionou no topo de um pequeno lance de escadas de mármore, observando os oficiais darem socos e pontapés no homem, Khaled Said, esmagando sua cabeça contra o degrau, até que seu corpo ficou imóvel e ele implorou por sua vida.

Os policiais arrastaram Said para um carro, disse Kamel, e voltaram 10 minutos depois para abandonar seu corpo nas escadas.

Eles tinham pouco com o que se preocupar, afirmam os defensores dos direitos humanos do país. Agentes da crescente força de segurança do Egito tem amplos poderes concedidos pelo governo e os oficiais são raramente punidos por abusos. Um policial disse aos parentes de Said que ele se engasgou com um punhado de maconha.

Esse episódio poderia ter terminado ali, mas tomou proporções maiores.

Uma foto do rosto ensanguentado e machucado de Said, feita com a câmera de um celular, desafiou as afirmações do governo. Semanas de protestos e manchetes de jornais vieram em seguida.

No início de julho, as autoridades mudaram de rumo: os agentes foram presos e acusados de detenção ilegal, tortura e abuso de poder, embora não de assassinato.

O julgamento está agendado para começar este mês.

Energizada com essa concessão, ativistas da oposição e dos direitos humanos estão sugerindo que o caso de Said pode ser o ponto de virada na sua campanha longa e antes infrutífera de erradicar o que eles chamam de uma cultura de brutalidade e abuso.

"Khaled Said fez uma coisa muito importante", disse Negad Al-Borai, um proeminente advogado de direitos humanos. "Ele chamou a atenção para o que as pessoas normais passam. Toda batalha tem suas vítimas".

E o furor não diminuiu.

Novas revelações sobre o caso aparecem todos os dias nos jornais independentes e uma página dedicada a Said no Facebook, com mais de 190 mil integrantes, continua crescendo.

Jovens homens e mulheres vestidos de preto fizeram protestos em várias cidades do país.

Mas todos reconhecem que mudar os caminhos da burocracia policial do Egito, que chega a praticamente todos os aspectos da vida pública do país, não é uma tarefa fácil.

O governo nega que haja qualquer abuso generalizado e frequentemente acusa policiais desonestos por episódios de brutalidade. O irmão de Said, Ahmed Kassem, que vive na Pensilvânia, tem buscado nos pertences dele motivos para a agressão.

Um rumor persistente é o de que a polícia foi atrás de Said por causa de um vídeo que ele postou na internet, mostrando policiais que faziam uso do material de uma apreensão de drogas. "Eu não tenho ideia (sobre isso)", disse Kassem. "Ele foi abusado. Ele foi assassinado. E as pessoas viram isso".

Por Kareem Fahim

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